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Os Livros e os Amigos

 

Apesar de cada vez mais haverem pessoas que nunca leram um livro e Portugal ser um País de pouca leitura – não podemos esquecer o volume de analfabetos que temos –, isso não significa que não se publiquem cada vez mais livros de autores portugueses. Hoje até existe uma certa fobia na publicação de livros por parte de jornalistas e figuras públicas, o que aumenta o volume de publicações e que têm os seus leitores (nada exigentes), porque as edições multiplicam-se. Costuma-se até dizer que existem leitores para todos os tipos de livros. Acontece o mesmo com as revistas cor de rosa e que vivem à base da vida social e artística dos actores e figuras públicas.

 

Há uns anos foi publicado um estudo, a nível europeu, onde se dava conta do grau cultural das famílias e uma das maneiras para se observar esse fenómeno, entre outras, claro, residia no facto de saber quantas famílias tinham bibliotecas em casa, porque era sinal de cultura. Já não nos lembramos bem do resultado final, mas uma certeza nos ficou, Portugal era dos países europeus com um fraco nível cultural, uma vez que a grande maioria das Famílias não tinham qualquer biblioteca. E tudo isto aconteceu num tempo em que a internet era ainda um sonho. E se as pessoas já liam pouco nessa época, agora com a chegada desse poderoso meio de informação, de certeza que as coisas ainda pioraram mais. Raramente vemos um jovem a ler, a não ser os livros da escola porque são obrigados. Apesar de muitos frequentarem a moderna Biblioteca que temos na cidade, os níveis de leitura não aumentaram.

 

Toda esta reflexão vem a propósito de uma pessoa amiga ter comprado um livro na livraria onde habitualmente vamos e o ter ali deixado para nós, com uma dedicatória: «com um abraço, porque um bom livro oferece-se a um amigo». E caso curioso, foi de um escritor que nunca lemos, Mia Couto, apesar de já ter publicado mais de uma vintena de obras. Coincidências da vida.

 

Na verdade os Amigos e os Livros são dois preciosos auxiliares na Formação de qualquer pessoa, porque se completam. Apesar de termos várias companhias na vida – a Família em primeiro lugar –, os Amigos vêm a seguir, temos um cantinho para os Livros. Há 50 anos lemos o livro de Françoise Sagan, escritora francesa, «Bonjour Tristesse» e que mais tarde vimos adaptado ao cinema, pelo realizador Otto Preminger e que ambos nos encantaram. Acontece que agora voltámos a comprar esse livro, distribuído pela «Difel» e observámos a sua actualidade. Os problemas psicológicos desse tempo estão hoje ainda presentes. É uma obra literária universal.

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