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O trânsito nas Tufeiras

 

Nascemos nas Tufeiras, mais propriamente no Largo da Rua Comandante Ilharco. Foi naquele largo que há mais de sessenta anos demos os primeiros pontapés na bola, no regresso da escola. Era uma zona em que se podia jogar à bola, apesar de por vezes aparecer a Polícia para nos tirar a bola de trapos, porque não havia dinheiro para comprar uma bola a sério.

 

O sítio era sossegado, a nível de trânsito, porque o maior movimento de viaturas ficava pelo meio da ladeira, que dava acesso mais tarde ao serviço de urgências do Hospital da Misericórdia. O movimento de ambulâncias era constante e por vezes interrompíamos o jogo para ir ver os feridos que chegavam ao hospital, na esperança de ver alguém nosso conhecido. Muitas foram ao longo de todos este anos, as pessoas, conhecidas que ali chegaram, algumas feridas graves e que logo eram transportadas para Lisboa, outras já cadáveres.

 

Pois é a cidade cresceu muito e por arrastamento o número de viaturas a circular aumentou extraordinariamente e como não podia deixar de ser a Rua Comandante Ilharco – Tufeiras – deixou de ser o Largo sossegado onde os miúdos da minha geração brincavam e jogavam à bola.

 

Raramente por ali passamos e não nos apercebemos como aumentou o trânsito naquela rua, dando até a ideia de ser uma via rápida de entrada e saída de viaturas, que aproveitam este desvio para fugir aos sinais. E por essa razão o trânsito quase que triplicou. Seria tudo normal e de escoamento de viaturas, se não acontecesse algo que nos preocupou quando ali fomos durante algum tempo. É que os carros passam ali com uma velocidade que por vezes assusta. Tanto a descer como a subir e não podemos esquecer que as Tufeiras é um Bairro com muita população e muitas crianças. E a velocidade com que os carros ali passam, não dão hipóteses a ninguém, no caso de um atropelamento. Ora existe uma regra de velocidade de circular dentro das cidades, daí pensarmos que devia de ali existir – existirá? – uma Placa que indicasse a velocidade possível, para evitar alguns acidentes que possa pôr a vida de alguém em risco.

 

Vivem no Bairro muitos idosos, que se deslocam alguns com alguma dificuldade e quando atravessa a rua, se não forem rápidos quando os carros se aproximam, podem ser colhidos.

 

Não seria preciso falar sobre isto, se todos os automobilistas cumprissem as regras de trânsito. Porque ao entrar na cidade, deviam de abrandar a marcha, por causa de qualquer imprevisto. Mas não, alguns até aceleram como se estivessem numa via rápida.

 

Já há algum tempo que detectámos esta anomalia mas só agora encontrámos algum tempo disponível para escrever esta crónica. Ela aqui fica como um «recado» aos automobilistas que não respeitam a velocidade dentro das cidades. É nossa obrigação, como cidadão, chamar a atenção para coisas que consideramos não estarem correctas e de acordo com o civismo que devia de existir entre peões e automobilistas. Depois ficamos admirados com o número de pessoas que morrem, neste País, por serem atropeladas.

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