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Ribatejo e Alentejo unidos num só dia

 

Sempre apreciei dormir umas horas a mais ao fim de semana. Mas, no passado domingo, acordei por volta das sete horas da matina. Ao abrir a janela senti uma brisa leve e fresca na minha mão. Arranjei-me e lá fui eu com mais pessoas ao meu destino. Fomos se não estou em erro, os primeiros a chegar a uma aldeia do nosso concelho que se chama Chancelaria. Comemorava-se o dia da freguesia. A manhã estava propícia para a caminhada que começou por volta das nove horas, com uma multidão considerável. Crianças sorridentes com ténis multicolores saltitavam parecendo abelhinhas de flor em flor; jovens com pequenas mochilas iam a passos largos; e nós fomos ficando para trás. O percurso até nem era difícil, mas caminhamos lentamente. Apreciamos a serra, majestosa, linda, sedutora. Ao longe num alto os moinhos embelezam o cenário. No ar sentia-se um cheiro a pinheiro e a eucalipto, ao qual os nossos pulmões agradeceram.

 

Ao meio do caminho encontramos uma senhora conhecida. Com o seu saber de residente e com a bonita idade de setentas e tais anos, falou-nos das caminhadas que faz diariamente, dos incêndios que já desgastaram alguns pedaços de terra. Apesar de tudo, os habitantes mantêm as hortas arranjadas, cultivando diversos alimentos e também existem muitas árvores de frutos. E, por entre estes campos, acenávamos a cada pessoa que víamos e outra senhora até nos convidou a ir a sua casa comer uns deliciosos dióspiros que nos souberam a mel.     

 

Terminado o nosso passeio, regressámos ao local da partida onde a Banda Filarmónica União Matense nos aguardava. De repente ouvi um sotaque que me era familiar. Virei-me e vi pessoas com trajes antigos. Aproximei-me deles e disseram-me que faziam parte do Rancho Folclórico “ As Ceifeiras de Alter do Chão” pertencentes ao distrito de Portalegre. A sua presença deveu-se à geminação que fazem com a Chancelaria. Simpatizei com aquelas pessoas e fomos em conjunto visitar o Centro de Dia que possuiu boas condições quer a nível de espaços, quer a nível de estruturas. A próxima visita foi aos moinhos da Pena, no qual as gentes simples de Alter do Chão me convidaram a ir com eles no seu autocarro.

 

Com o sol a queimar fomos almoçar à Mata, um repasto volante onde não faltou o famoso espeto de porco assado entre outras coisas. Por volta das 15h30m o Rancho Folclórico “As Ceifeiras de Alter do Chão” presenteou-nos com as suas danças tradicionais, com os seus trajes alentejanos. Naqueles minutos viajei até ao Alentejo onde passei e continuo a passar alguns dias; Mergulhei num campo longo, com uma casa e com a família. Escutei ao longe o eco da voz do meu pai, os risos dos tios, as brincadeiras dos meus primos. E no fim, o cheiro da açorda, dos gaspachos, do pão caseiro.

 

Ai Alentejo da minha alma. Orgulho-me de ter uma parte de ti e também uma parte do Ribatejo. Os aplausos trouxeram-me de volta à realidade e eis-me de novo sentada numa cadeira a assistir às Danças de Salão da Chancelaria, que têm dançarinos bastante profissionais em palco. Para terminar a Banda União Matense encerrou este dia. Num dia só conseguiu-se conviver, conhecer novas pessoas, comunicar e travar novos laços de amizade. Por isso, agradeço ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Chancelaria de ter convidado uma das associações à qual pertenço para estarmos presentes neste evento. Em meu nome pessoal agradeço a simpatia e simplicidade com que os membros do Rancho Folclórico de Alter do Chão me acolheram. Voltem sempre. Dou os meus parabéns pelo desempenho aos jovens que integram o Rancho, As Danças de Salão e a Banda Filarmónica.

 

Finalmente, sejam muito felizes e nunca deixem de sorrir.

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