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Votar na saúde, justiça, emprego, educação…

 

Milhões de portugueses andam revoltados com o péssimo sistema de saúde. “Mais de metade dos hospitais nacionais estão congestionados” (“Público”, 18.09.2009) e nem a potente propaganda de Sócrates consegue ocultar o que todos sentem na pele.

 

Estamos em sintonia com a opinião expressa por Jorge Carreira Maia no blogue “A Ver o Mundo” (18.09.2009). Escreve este filósofo torrejano: “A saúde em Portugal tornou-se um verdadeiro drama. Quem não tem dinheiro para recorrer à caríssima medicina privada, a generalidade dos portugueses, sujeita-se àquilo que os serviços públicos têm para dar. E o que têm para dar é cada vez menos. Por exemplo, como terá evoluído o número de pessoas sem médico de família (neste concelho, parece ter aumentado substancialmente)? Depois, a política de concentração seguida está a esvaziar muitas unidades hospitalares e a criar monstros de ineficácia”.

 

No que toca a Torres Novas, ainda há dias pudemos ler um desabafo de Madalena Monge que serve de prova: “E por falar em saúde. É um assunto complicado, eu sei. Mas falo na mesma. Fiquei sem médica de família e há um vazio enorme naquele bloco, enquanto dantes havia alegria, apesar das dores de cada um. No bloco do recurso é o caos total. Não há médicos suficientes e os utentes quase que têm de acampar à espera duma vaga. Parecem sardinhas enlatadas naquele cubículo. Desde crianças, idosos, pessoas com problemas respiratórios têm de permanecer ali durante um dia inteiro para obterem uma senha?” (“O Almonda” 18.09.2009, p.12). Nas freguesias rurais, as carências são também aflitivamente evidentes.

 

O actual desespero não se limita ao sector da saúde. Não menos preocupantes são as “injustiças da justiça” e é o madrileno “El País” (20.09.2009) que se admira com o facto dos portugueses não terem dado mais importância a este tema na campanha eleitoral, pois 82% entendem que o descrédito da justiça constitui o maior problema da nação. E será desnecessário acrescentar as atribulações de quem acredita num ensino de qualidade, num Estado sem caciquismo, num ambiente sem poluição.

 

Quanto ao desemprego, podia-se ler uma notícia da agência LUSA divulgada no “Portugal Diário on line”(18.09.2009): “o número de inscritos ultrapassa os 500.000; uma subida de 28,7% em Agosto em relação a 2008” (dados do IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional). Se aos 501.663 desempregados forem somados os membros de cerca de 350.000 famílias com rendimento mínimo, chegaremos em breve a quase um milhão de portugueses sem trabalho. E atendendo às manipulações dos dados estatísticos, a realidade deve ser ainda mais grave. Uma desgraça!

 

No “Deve e Haver” da contabilidade eleitoral, é do conhecimento geral o que tem acontecido nos últimos anos em que estes “licenciados em engenharias” se apoderaram do país.

 

Uma das inúmeras manhas é tirarem sempre o rabinho à seringa com discursos enganadores e palavras sem nexo. Apenas para encherem os ouvidos da plateia. Quase às escondidas, educam os filhos em colégios particulares e não se tratam nos centro de saúde onde o comum dos mortais tem de esperar horas a fio, por vezes à chuva e ao vento.

 

Tentam em vão convencer-nos que vivemos numa república democrática mas portam-se pior que os membros da nobreza. Alguns carecem de formação cívica. E nem sequer nos referimos, aqui, à vacuidade dos respectivos percursos académicos. A sorte não nos bafejou com uma Angela Merkel ou um Barack Obama. Saiu-nos na rifa uma patética equipa “à la Berlusconi”.

 

O primeiro-ministro, a ministra da saúde e os socratinos sobas locais têm apregoado o sucesso do Serviço Nacional de Saúde. Coitadinhos! Andam mal informados sobre a luta quotidiana dos cidadãos que passam a vida a pagar impostos, a efectuar descontos para isto e para aquilo; no entanto, quando têm necessidade, sabemos qual é a resposta. Tal como nos casos do ensino, dos tribunais, do desemprego ou da segurança pública … sacodem a água do capote. A culpa é sempre dos outros. Nunca da incapacidade deste governo.

 

Ora bem, quando o leitor for votar lembre-se como a firma José Sócrates Pinto de Sousa ─ Sociedade Anónima de Irresponsabilidade Ilimitada ─ tem destruído o tecido social e económico. Como tem empurrado Portugal para o abismo em quase todos os indicadores estatísticos. É triste ver o número de países que nos ultrapassaram e … aos quais, com o tempo, se irão acrescentar muitos outros.

 

A culpa nunca é deles. Sempre dos médicos, dos cirurgiões, dos enfermeiros e, não esqueçamos, dos sindicatos. Esses “malandros” que não obedecem ao governo, assim como no tempo do Salazar. Argumentam “ad nauseam” que quem pôs tudo num caos foram os professores e os polícias, os funcionários públicos, os cães dos outros partidos e o gato do vizinho.

 

Devemos reflectir a valer. Chegou o momento de mudar de gestores. Os portugueses merecem melhor.

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