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90 mil portugueses afectados pela doença de Alzheimer

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A doença de Alzheimer afecta 90 mil portugueses, número que deverá duplicar nos próximos 30 anos, alertou a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer por ocasião do Dia Mundial da Doença de Alzheimer, que no dia 21 se assinalou em todo o Mundo.

 

Isabel Ambrósio, a directora do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar do Médio Tejo, coordena o diagnóstico nesta unidade hospitalar, onde se inclui o Hospital de Torres Novas. A propósito da efeméride “O Almonda” foi falar com a neurologista sobre esta doença.

 

Para a doença de Alzheimer a ciência ainda não consegue diagnósticos seguros, havendo apenas suspeitas de que uma pessoa pode padecer dela. Alzheimer é um dos tipos de demência que afecta as pessoas a partir da meia-idade, e cada vez mais há indícios de que apareça mais cedo. Alzheimer cria perturbações na memória recente, e esses são os sinais mais evidentes. Não se pode dizer que a causa da doença seja por uma razão concreta, pois «não há uma causa evidente», assegurou a neurologista.

 

Causas

 

«São desconhecidas as causas», embora possa haver «uma prevalência genética para algumas pessoas». O que parece haver, explicou a neurologista, «é uma associação com as doenças cardio-vasculares». A doença de Alzheimer só pode ser diagnosticada com certeza absoluta na autópsia. Os investigadores descobriram que há indicadores da doença de Alzheimer que são geralmente encontrados nas mesmas regiões do cérebro – preferencialmente nas áreas responsáveis pela aprendizagem e memória. Mas antes eram incapazes de identificar um mecanismo que ligasse os dois tipos de lesões. Agora sabe-se que a proteína “tau” deve estar presente para permitir que a degeneração das células cerebrais ocorra.  

 

Diz Isabel Ambrósio que «parece haver um factor genético» que há «uma predisposição», mas que a medicina ainda não permite que haja certeza em vida.

 

Sinais de Alerta

 

A perda da memória é um dos primeiros sinais da demência. Todas as pessoas se esquecem de alguma coisa, para as recordar mais tarde, mas num doente com Alzheimer essa memória é irremediavelmente perdida, nunca mais a recordando.

 

Outro sinal é a dificuldade em executar tarefas rotineiras, como preparar uma refeição ou utilizar um electrodoméstico.

 

Desenvolve-se um problema de linguagem, levando a que os doentes de Alzheimer em vez de perguntar, por exemplo, pela escova de dentes digam «aquela coisa para a minha boca».

 

Podem os doentes de Alzheimer ficar perdidos no tempo e no espaço, havendo quem fique perdido na sua própria rua ou se esqueçam onde estavam a ir.

 

Ficam também com pouca capacidade crítica, vestindo várias blusas em dias quentes ou pouca roupa num dia frio, perdendo frequentemente a capacidade de ajuizar tudo o que se relacione com o dinheiro, tendo também grandes problemas com a capacidade de abstracção, não compreendendo o significado dos números.

 

Passam a guardar os objectos inadequadamente, havendo quem guarde relógios nos açucareiros, ou uma sandes debaixo do sofá. Há também variações de humor ou de comportamento, com mudanças rápidas de humor – de calmo para zangar-se sem razão aparente.

 

As alterações de personalidade afectam também os doentes com Alzheimer e são afectados também pela perda de iniciativa, podendo uma pessoa tornar-se muito passiva, vendo muitas horas de televisão ou dormir mais do que o normal.

 

 

Luís Miguel Lopes

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