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Centro de Saúde de Torres Novas sem capacidade de resposta no Recurso

 

Quando se abre o guichet da marcação das consultas de recurso no Centro de Saúde de Torres Novas começaram os desentendimentos. “Eu cheguei primeiro”, “Não, não, eu é que cheguei cá primeiro. Estou cá desde as quatro da manhã e quando cheguei não a vi”, “Não me viu mas eu já cá estava, não tenho a culpa que não me tivesse visto”. Este diálogo aconteceu às 14horas de segunda-feira, dia 31 de Agosto, mas contaram os utentes a “O Almonda” que, infelizmente, há dias em que há desacatos ainda piores. As trocas de acusações são constantes, pois procura-se ter acesso a um bem precioso, os cuidados de saúde, que por estes dias vivem situações de racionamento.

De manhã só foram atendidas vinte pessoas, e por norma, à tarde, outras vinte. Mas no dia em que visitámos o Centro de Saúde de Torres Novas a médica tinha um compromisso à tarde e só podia atender quinze pessoas. Ora os ânimos das pessoas que ali se encontravam à espera ficaram ainda mais exaltados. A parca resposta do Centro de Saúde de Torres Novas está directamente relacionada com a falta de pessoal médico. Tem estado de serviço apenas um médico de manhã e outro de tarde. Este centro, que se ia remediando com o pessoal que tinha, viu a sua capacidade de resposta diminuir drasticamente no mês de Agosto. As razões para esta baixa na capacidade de resposta prendem-se com as férias dos médicos, o que para o utente do Centro de Saúde não pode servir de justificação e houve quem vociferasse, «Que façam escalas como as pessoas nas outras profissões», e outra pessoa logo acrescentou, «É uma falta de consideração tirarem férias nesta altura».

“O Almonda” falou com várias pessoas que reclamaram da situação vigente, mas que por receio de a sua indignação não ser bem recebida, optaram por não divulgar o seu nome. O Sr. X realizou a primeira tentativa no início da semana, indo para o Centro de Saúde às seis da manhã. Quando lá chegou já tinha vinte pessoas à sua frente. Às oito horas distribuíram as senhas para a consulta e já não conseguiu vaga para a manhã. Foi então informado de que teria de esperar pela médica da tarde, pois as senhas da manhã não são válidas para a tarde. Para ser atendido teria de continuar à espera, e como a vida profissional não lhe permitia isso optou por tentar noutro dia. No dia seguinte, uma sexta-feira, foi às 4h30 da manhã e já havia pessoas à sua frente, que haviam chegado às 2h30. A espera foi longa até às oito da manhã e felizmente, relatou, é Verão, pois se a situação fosse ao frio e à chuva seria muito pior. Dessa vez acabaria por conseguir a desejada consulta de recurso, pelas 9h30 da manhã.

Os utentes reclamam também porque as senhas não são dadas à medida que as pessoas vão chegando e argumentam, «Se nos dessem as senhas logo que chegamos escusávamos de estar aqui à espera o tempo todo», e outro logo acrescentou, «Isto não cabe na cabeça de ninguém. Há pessoas que estão aqui desde manhã cedo e só agora, à tarde, é que são distribuídas as senhas». Outra senhora, muito revoltada, aproveitou para acrescentar, «Estão aqui três idosos desde as 4 da manhã à espera e só agora é que vão ser atendidos, isto não se admite!», e o tom das reclamações aumentou, «Alguém tem de partir a corda! A culpa é da ministra. Isto não pode ser assim». Outro utente disse logo a seguir, «Há para aí tanta gente a precisar de trabalho… e para piorar a situação sei que o Dr. Eli também se reformou». Uma mãe, também revoltada com a situação, dava conta do seu desagrado por não ter conseguido marcar consulta, «Disseram-me para vir de tarde. Mas eu sou mãe e tenho de dar almoço aos meus filhos. Não posso vir para aqui antes das 14h. Tenho de lhes dar almoço». Uma professora reclamava por sua vez o limite de consultas da tarde (15), questionando, «Mas porque é que não fazem as reuniões fora da hora de consulta? Eu sou professora e é o que acontece no meu trabalho, não vamos prejudicar os alunos por causa das reuniões».

Por sua vez a médica procurou justificar-se perante os utentes, dizendo que com responsabilidade não poderia inscrever para as consultas mais de 15 pessoas.

Dizem os responsáveis pelo Centro de Saúde que o sistema vigente das senhas «é o melhor possível», e argumentam dizendo, «E se aparece um ou mais casos urgentes o que é que depois fazemos às senhas? Este é o melhor sistema, não há outro», declarou o Dr. Pedro Marques, director do ACES.

 

Luís Miguel Lopes

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