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O elo mais fraco

 

Aprendi uma palavra nova, confesso que não sabia…Pandemia! A primeira vez que ouvi foi num qualquer telejornal. Creio que começou no México depois passou aos Estados Unidos através da aviação, ou terá sido através dum emigrante clandestino? Desculpem-me este tom inicial de brincadeira. Tenho a perfeita noção de que não é caso disso, pelo contrário esta possibilidade de um doença de repente alastrar pelo mundo inteiro é caso grave, motivo de paranóia, alarme dos cidadãos, pânico das instituições.

 

Os sistemas de saúde a serem entupidos, rapidamente por doentes que contaminam toda a sociedade a um ritmo impossível de responder. Parece um filme americano em que uma determinada ameaça põe o mundo inteiro e risco sem haver solução à vista e, no entanto, nos últimos cinco minutos, tudo se resolve. Lá estou eu a descambar para este riso trocista, irresponsável, com toda a certeza só possível porque ainda não me apercebi muito bem da gravidade da situação. O vírus alastra a um ritmo alucinante. Reino Unido, Espanha, Austrália, Japão, Portugal… Este é o pior pesadelo da globalização: uma doença que ataca, sem controlo, o mundo inteiro independentemente dos países serem mais ou menos desenvolvidos. Parece-me que um vírus é um organismo muito simples, a meio caminho entre os seres vivos e seres sem vida. Transporta apenas informação genética que, ao ser inoculado nas células de outros organismos aproveita a seu código genético para se reproduzir, indefinidamente e destruindo as células hospedeiras. Bom deixemos estas divagações pseudo cientificas para quem de direito, sistema nacional de saúde, organização mundial de saúde que, ao contrário de todos nós, têm a responsabilidade de saber do que falam.

 

O que interessa verdadeiramente é que a doença, esta nova estirpe de gripe, continua alastrando numa progressão geométrica: 2, 4, 16, 256, 65536, 4294967296… Caramba parece-me que estou a exagerar um bocadinho! È a perfeita arma química tal como a varíola que desgraçou as populações dos índios americanos quando os europeus lá chegaram. O que pudemos fazer? Aparentemente nada! Aprender a lavar as mãos. Comprar máscaras bico de pato (parece que as que os cirurgiões utilizam não são suficientes!). Calçar luvas esterilizadas, atenção um par de luvas primeiro depois outro sobre esse tapando as mangas da camisa? Espirrar para o braço. Mas afinal este vírus tem cura, é mortal? De todas as pessoas contaminadas qual foi a percentagem de mortos? A solução passa pelas proclamadas festas de vírus? Estará a Humanidade condenada a fracassar nesta batalha com um organismo que pode estar em dormência por muito tempo e acordar de repente? Não vos parece tudo isto um pouco exagerado?

 

Ainda que o seja, e assim o espero: era bom que aprendêssemos a lição! Apesar de todo o nosso arsenal tecnológico, de todo o conhecimento científico, das novas facilidades de comunicação, dos recursos mal distribuídos, de todas as injustiças, continuamos a ser simplesmente o que sempre fomos: seres vivos dependentes de causas externas. Na luta contra a natureza, irremediavelmente, o elo mais fraco.

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