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É possível manter as conquistas alcançadas

 

O que distingue a Europa de outras regiões do mundo é sem dúvida uma caminhada histórica em direcção à conquista de valores que hoje se proclamam como direitos humanos.

 

Foi aqui que gradualmente se foi afirmando a liberdade como um dos direitos fundamentais. Foi aqui que se criou um modelo social em que o individuo encontra protecção na doença e na velhice.

 

Tudo indicava que essa caminhada era sempre no sentido da melhoria das condições de vida e que o desenvolvimento económico não era uma utopia mas uma realidade. Contudo, nos últimos tempos acontece que esse sonho parece desvanecer-se e que ventos contrários ameaçam destruir conquistas económicas e sociais que custaram tanto suor e sangue e que séculos de luta não bastaram para cimentar conquistas tão arduamente conseguidas.

 

Um sistema financeiro rapace, imoralmente assente na cobiça e no latrocínio, começa a mostrar as fragilidades a que os políticos de serviço e em subserviência se mostram incapazes de repor na normalidade. Proclamam então os arautos deste estado de coisas, aqueles que nasceram para justificar a imoralidade, que o sistema não é mais sustentável e que todos temos de fazer cortes s e sacrifícios, (“todos”, entenda-se, menos eles).

           

Também, dizem esses analistas, escribas da justificação, que a liberdade tem que capitular hoje perante a insegurança e a violência. Liberdade, sim – dizem eles – mas convivendo com o vandalismo, com a má educação, com o roubo, com o delito. Como se a democracia, em nome dos direitos individuais não fosse capaz de limpar a violência, punir o crime. A democracia é o reconhecimento da liberdade como um direito mas isso não implica, como querem alguns, pactuar com a libertinagem de uns poucos que tornam inseguros os nossos dias, sobretudo as nossas noites.

 

A democracia deve ser violenta perante a violência e deixemo-nos de ser cordeiros quando os lobos astuciosamente cercam o rebanho. A Europa como ideia e como realidade concreta só será aceite pelos povos se souber manter o sonho vivo de uma realidade onde a liberdade seja possível de mãos dadas com as conquistas sociais conseguidas durante séculos. E isso é possível se a Europa não for a velha senhora que guarda no seu regaço os privilégios de alguns.

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