Home > Colaboradores > Hélio Lopes > Não basta ter razão

Não basta ter razão

 

Uma realidade, que a vida sempre a todos ensinou é que não basta ter razão, seja naquilo que for, sobretudo, nos casos que envolvem gente bem colocada na hierarquia social.

 

É o que se tem podido ver desde que António Marinho e Pinto foi eleito, e de um modo esmagadoramente singular, para o cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados. A verdade, porém, foi a que desde logo se pôde ver: uma imparável sucessão de escolhos foi sendo colocada à frente da materialização do programa sufragado com a sua eleição. Diz-se que o Bastonário da Ordem dos Advogados não conseguiu aprovar um orçamento a tempo e horas para o presente ano, mas omite-se, de um modo deliberado e recorrente, que tal orçamento só não existe porque foi recusado quando foi apresentado.

Junta-se, sempre de um modo acéfalo, que certos dirigentes distritais da Ordem dos Advogados se mostram contra a ação do Bastonário à sua frente, mas omite-se, de igual modo, que tais dirigentes mais não são que uma infinitesimal minoria. Com toda a evidência, a tal minoria que a ação saneadora do Bastonário da Ordem dos Advogados terá atingido.

 

Omitem-se as palavras recentes, e já recorrentes, do Presidente Cavaco Silva, a propósito da má legislação hoje praticada em Portugal, mostrando-se os comentadores e jornalistas incapazes de reconhecer que tal legislação, de um modo muito frequente, é realizada em gabinetes de advogados contratados pelo Estado, de um modo que qualquer um que seja sério terá de reconhecer que é pouco claro.

 

Contudo, isso mesmo, e mesmo o muito mais que naturalmente se depreende, é o que tem sido reiteradamente apontado pelo Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto. O que explica, pois, o pânico que se deverá ter apropriado de muitos dos que, de um modo permanente, mandatos e mandatos a fio, nos vão surgindo em lugares os mais diversos das estruturas directivas da Ordem dos Advogados.

 

Por sorte para o Bastonário da Ordem dos Advogados, a esmagadora maioria dos colegas que o elegeu tem hoje razões acrescidas para se bater contra os que, oriundos da tal minoria burguesa lisboeta que se vê hoje possuída pelo pânico causado, a um ritmo diário, pelas intervenções de Marinho e Pinto, tudo vem fazendo para impedir a realização do programa que acompanhou António Marinho e Pinto na sua esmagadora vitória.

 

Só dificilmente se poderá pôr em causa que para se vencerem os mil e um escolhos interpostos pelos detentores de longínquos interesses instalados nunca restaria ao Bastonário da Ordem dos Advogados outra alternativa que não fosse a de tentar pôr um fim na estrutura orgânica da Ordem dos Advogados, verdadeiro monumento ao imobilismo das conveniências de há muito instaladas. Mas será possível concertar uma tal estrutura nos tempos que correm? Muito sinceramente, não creio que seja possível. Portugal e as suas instituições são como são: uma mancha de retalhos mal cerzidos, dependentes ou independentes, de funcionamento consonante ou dissonante, com os resultados que se podem ver. E quase desde sempre, para tal bastando o conhecimento de um pouco da História do País.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook