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Medicina Convencional ou medicina alternativa?

Estávamos em 2004 quando comecei a sentir um cansaço diário fora do normal. Ao longo dos meses verifiquei que estava a perder peso. Quando apanhava sol em demasia, sangrava bastante do nariz. Recorri a vários otorrinos. Fiz TAC, ressonâncias magnéticas e análises. O cansaço continuava e perdi o olfato. Mais exames. Finalmente em 2005 foi-me detetado um tumor raro e maligno nas vias respiratórias. Teria de fazer três tratamentos muito rigorosos de quimioterapia e sete semanas de radioterapia, pois o tumor não era operável. A doutora que me segue até hoje informou-me dos efeitos secundários da quimioterapia eram: náuseas, enjoos, vómitos, prisão de ventre entre outros sintomas. Por incrível que pareça não entrei em desespero. Teria de seguir em frente desse por onde desse.

Foi nessa altura que me falaram dum homeopata muito bom que tinha medicamentos para não sentir os ditos efeitos secundários da quimio- terapia. Fiquei contente e marquei consulta. O consultório era cá. Fui bem recebida. Contei-lhe o meu mal e o senhor receitou-me sete frascos pequeninos com um líquido no seu interior, para beber um cada dia antes do pequeno-almoço. Recordo- -me que me receitou mais caixas de comprimidos, todos naturais como é óbvio. Paguei 150 euros convicta que ia tudo correr bem. O senhor pediu- -me para eu não dizer nada à minha médica do IPO que tinha ido lá.

Ao meio da semana o meu organismo estava a rejeitar os medicamentos. Sentia tonturas, mal-estar. Liguei-lhe e disse-me para eu deixar de os tomar e ir ao consultório buscar outros. Refleti sobre o assunto e decidi optar pela medicina convencional. Passei muito sofrimento, mas passados 15 anos consegui superar e agora o meu corpo está limpo do bicho.

Ao longo da minha doença conheci pessoas que optaram por seguir os conselhos dos homeopatas e infelizmente já faleceram. Porque como nos diz a revista Sábado desta semana, há doentes que interrompem a quimioterapia e passam a beber chás naturais e nesta grande reportagem chama-se a atenção para o seguinte: “ Há chás que interagem (mal) com medicamentos e crenças que impedem tratamentos com consequências graves. “E em muitos casos pioram cada vez mais e quando voltam ao hospital onde estavam a ser seguidos o cancro já está espalhado pelo corpo. Com tudo isto pudemos morrer em qualquer lugar tomando medicação
natural ou química. No entanto estas áreas das medicinas alternativas leva-me a questionar como é que os doutores conseguem ver que tipos de medicamentos podem receitar aos doentes, visto que não os mandam fazer exames e cada caso é um caso. E o dinheiro exorbitante que se gasta quer em alimentos naturais, consultas e medicamentos? Um exagero mesmo.

Prestem atenção; ao escrever este artigo não estou a pôr em causa a sabedoria de cada um, mas sim para que o leitor tenha atenção e saiba pensar enquanto doente o que acha que é melhor para si. E não caiam em promessas e milagres. A nossa luta pela vida é constante neste tipo de doenças. O mais importante é não desistir. Há sempre alternativas, mas o poder da mente não cura a doença. O poder da mente ajuda a tornarmo- -nos mais fortes para enfrentar tudo a ter esperança que amanhã o sol vai nascer de novo.

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