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Meu passarinho

O meu querido pai que Deus tem, era um homem com um H gigante porém de altura, não sei ao certo quanto media mas não devia ter mais de 1,68m no máximo 1,70m. Digo isto pois eu meço 1,72m e tenho a certeza que era ligeiramente mais alta que ele. O que não lhe fazia diferença alguma. Acho que ele até achava engraçado! Pois as mulheres da família do seu lado eram todas pequeninas… 1,50m, 1,60m ao contrário dos homens que mediam todos acima de 1,90m. Adorava ajudá-lo nos trabalhos da horta! E o mais engraçado é que não sei se era por esse motivo ou não, lembro-me que de vez em quando me tratava por “espinafre”! Quando o dizia colocava um tom de voz especial e ficava com um sorriso entre o maroto e o carinhoso. E eu, ria-me! E lá continuávamos nós a apanhar batatas ou a plantar feijão ou até mesmo a cuidar das árvores de fruto, dependendo da estação do ano em que estávamos.
Era um passarinho que estava a cantar e lá no seu ninho pôs-se a pensar. Tinha tanto medo olhando pró chão, batia tremendo o seu coração. Meu passarinho… E era assim que a minha mãe se dirigia a mim, quando entrava em casa, viesse eu de onde viesse e a que horas viesse e com quem viesse e independentemente de eu vir a cantar, calada ou a rir à gargalhada! E agora, agora tremo de medo de não voltar a ser chamada assim muitas mais vezes. É que a memória da minha mãe já não é o que era, pois os 86 anos não perdoam nem o Alzheimer, que apesar de ter sido diagnosticado há poucos meses teima em se fazer notar. E o Sol gritou: – tens de voar! E o passarinho então voou, caiu no chão e não chorou. E eu por vezes choro, mas continuo a voar… mesmo que seja baixinho baixinho como o crocodilo, pois TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO É TRISTE (saudade das saudades!) TUDO ISTO SÃO COISAS e CENAS & CENAS e COISAS.

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