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A Colónia Balnear da Nazaré (I)

Crónica de uma morte anunciada

A história da Colónia Balnear da Nazaré já vem de longe. Foi mandada construir no início da década de 40 do século passado, pela Junta Distrital de Santarém, depois chamada de Junta Geral do Distrito de Santarém, a seguir Junta da Província do Ribatejo e posteriormente Assembleia Distrital de Santarém. Foi inaugurada em 8 de Junho de 1941, segundo o Jornal de Abrantes de 22 de Junho de 1941. Desta última entidade faziam parte os 21 Municípios do Distrito de Santarém, verdadeiros proprietários do imóvel, mas parece que, entretanto, alguns terão saído.

Para além do seu dono ter mudado de nome várias vezes ao longo dos anos, os seus responsáveis mudaram muito mais já que eram e são eleitos locais.

É justo que se diga que prestou bons serviços a franjas da população mais carenciada do Distrito, mas nos últimos tempos tem tido uma vida muito atribulada que lhe pode vir a acabar com a existência de um momento para o outro.

Os últimos dez anos provocaram-lhe muitas nódoas negras, interior e exteriormente bem visíveis. Anteriormente já havia problemas, especialmente de falta de manutenção, que se acumularam e daí a razão do estado a que chegou.

Os seus objectivos iniciais eram típicos de uma época de miséria e por isso a criaram com o objectivo da luta contra a tuberculose dos pobres, com a mudança de ares.

A Colónia serviu para que muitas crianças vissem o mar e pisassem a areia da praia pela primeira vez.

Foi de facto uma obra boa que prestou bons serviços à comunidade para que foi criada. O local onde está edificada é extraordinariamente agradável, as suas vistas são magníficas, as suas áreas são interessantes, mas no estado a que a deixaram chegar, possivelmente terá pouco futuro como instituição para ajudar os que mais precisam, que continuam a existir. Foi funcionando ao longo dos anos, certamente com boas vontades de muita gente, mas a manutenção das instalações, nunca terá sido a melhor até que foi abandonada pelos seus donos em 2009 e chegou a um estado calamitoso que devia envergonhar os seus proprietários ribatejanos que, possivelmente, alguns nem a conhecerão.

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