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A Roménia para além do Drácula

O Império Romano subjugou os dácios e criou a província da Dácia, cujo território coincidia com o da atual Roménia. Entre 271 e o século X, outros povos invadiram a região. Após três séculos de domínio otomano, em 1859, a Moldávia e a Valáquia juntaram-se para darem origem à Roménia e, depois das guerras mundiais, a Transilvânia também acabou por se integrar no país. Os romenos veem-se como “latinos num mar de eslavos” por falarem a única língua românica na Europa do Leste.

Os turistas visitam os Castelos de Bran e Peles, lembram-se do Drácula e deslumbram-se com a beleza das avenidas de Bucareste. Um ou outro até tentará compreender a história e ouvirá os habitantes a dizerem mal da ditadura comunista, de Ceausescu e de como “tudo terminou” com o seu fuzilamento a 25 de dezembro de 1989.

Uma execução no Natal é um evento bizarro. Porém, para os romenos este foi um dia benfazejo, com um sol radioso a anunciar calor e a abertura de uma fresta de liberdade.

O país entrou na UE em 2007 e, quase de imediato, foram exigidas medidas urgentes para combater a criminalidade e a corrupção. O Partido Comunista tinha sido abolido, porém a os seus dirigentes, os oficiais da ex-polícia secreta e outros “apparatchiks” souberam reinventar-se. Transformaram-se na casta de opor
tunistas e corruptos que se apropriou das principais empresas que viriam a integrar-se no capitalismo europeu. Vinte e cinco anos após a “extinção” do PC, além de Ceausescu e da mulher, nenhum outro comunista foi condenado pelo meio século de terror e miséria. Ninguém julgou os 11.000 agentes e o meio milhão de bufos da Securitate, a Pide lá do sítio.

O bem-estar dos cidadãos não era a prioridade do comunismo. Abundam os exemplos e um deles ficou célebre. Nos anos 1990, Copsa Mica era “a cidade mais poluída na Europa, onde todos os habitantes estavam doentes”. Uma fundição de zinco/ /chumbo e uma fábrica de carbono ativado para a produção de borracha emitiram, durante 60 anos, metais pesados e poeira negra que contaminaram o solo, o ar e a água. Cobriram tudo. Não só os operários mas também as suas casas, hortas e animais. Os moradores não tinham outra opção senão comer legumes envenenados, porque não havia outros. Dois terços das crianças pesavam menos do que deviam e o número de nascimentos com defeitos era acima da média. Um povo que sofreu imenso. Um país que merece uma visita. Pena é que tantos políticos e “jornalistas” tentem “corrigir” a realidade vivida nestas ditaduras. Deviam consultar as vítimas. Aprenderiam muito.

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