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O Major Tomé e o sorriso do Gil

Foi na recruta na Escola Prática de Cavalaria, salvo erro no primeiro trimestre de 1968, que fiz parte de um pelotão com mais de vinte amigos torrejanos, comandado pelo Cabo Cruz e pelo Aspirante Cerveira Dias, integrado no segundo esquadrão comandado pelo na altura Major Mário Tomé, figura conhecida no pós 25 de Abril de 1974.

O major Tomé era um tipo castiço, um militar à antiga, gozão e sério quanto baste e que nos comandava conforme podia, porque o pelotão torrejano não era fácil de roer. O Tóbé Cor- doeiro, O Santos, o Lúcio, o Simões, o Carvalho, o Cabral e o Galriça, eu, o Pereira e o Gil Serôdio, acompanhados pelos vizinhos alcanenenses Coutinho, Garrudo e Frazão, de entre outros, formávamos uma equipa temível.

Estávamos em Fevereiro, fazia um frio de rachar e para se ir à casa de banho tinha que se atravessar a parada, num percurso de mais de quinhentos metros. O bom do Gil, aflito para fazer xi-xi, executou essa tarefa no lavatório da camarata, lavando-o bem, logo de seguida e voltou para a cama. Mas teve o azar do cabo da camarata o ter visto praticar aquela irregularidade, este comunicou ao major e lá vai o bom do Gil à presença do tal Tomé, para se tentar justificar. O Gil perdeu nessa altura o sorriso, tolhido que estava pelo medo. O major Tomé só disse: “Então rapaz porque não te ris agora?”.

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