As tradições, os costumes, têm uma força congregadora. Todos os que praticam uma determinada tradição andam irmanados por um agir comum; unidos por uma força identitária. Significa também que ao perderem- -se determinados usos e costumes isso é uma força desagregadora da vida de uma comunidade.

A sociedade contemporânea pela facilidade de comunicação entra em contacto  com usos estranhos que adopta e, muitas vezes, perde as suas tradições. Alguns rituais, que nada têm a ver com a nossa cultura, como o dia das bruxas, tomam o lugar das nossas festas seculares. Um dos costumes antigos, de origem imemo- rial, ocorre precisamente hoje, dia 1 de Novembro. É o dia dos bolinhos.

Neste dia, em Torres Novas, ainda se vêem grupos de crianças, com pequenos sacos, de porta em porta a pedir os bolinhos. Outrora era costume dar broas, tremoços, frutos secos… Hoje a realidade é outra, e muitas portas abrem-se para dar rebuçados, gomas e moedas… Mais vale dar alguma coisa do que simular que a casa está vazia e as crianças são levadas a debandar para outro lado.

E ao participar nesta festa da pequenada não é só uma tradição que se mantém. Realiza-se também a aprendizagem de dar e receber. E isso é importante numa sociedade que se fecha no individualismo. Hoje não se pedem os bolinhos por necessidade mas mantém-se um ritual, um acto de participação na vida colectiva.

Não se sabe qual a origem desta tradição, mas parece que ela, embora já existisse antes, se reforçou por ocasião do terramoto de 1 de Novembro de 1755 quando a pobreza se acentuou em Lisboa. Então, sim, as pessoas iam de casa em casa pedindo por necessidade.

Vamos colaborar neste alegre alvoroço da pequenada. Vamos manter esta salutar tradição.

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