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Eu pago já!

No rescaldo das eleições… Foi eleito democraticamente o XXII Governo Constitucional. Os eleitores puderam optar por 21 partidos. Embora com pouca convicção escolhi um deles incluindo-me portanto nos 48,47 % dos portugueses votantes.

Os votos brancos e nulos representaram, respetivamente, 2,51% e 2,36%, dos eleitores votantes. Pela primeira vez, para as eleições legislativas, foram mais os portugueses que não votaram: a abstenção atingiu 51,43%; em contrapartida nunca houve tantos partidos representados na Assembleia da República: 10 para 230 deputados.

Face a estes resultados que decide o governo? Criar mais um ministério e mais secretários de estado: no governo anterior eram 44 e agora são 50. Será que estas mudanças servirão para tornar a nossa democracia mais participativa contribuindo para uma sociedade mais justa e equilibrada? Será que o governo vai responder melhor às nossas necessidades? Será que nas próximas eleições vai diminuir o número de pessoas que, sem violar a lei, escolhem não participar no ato eleitoral? Duvido e receio até que possam contribuir não para diminuir, mas sim aumentar a abstenção! Pode-se argumentar que o voto devia ser obrigatório. Penso que isso de pouco serviria. As pessoas que escolhem ter esta atitude, sem deixarem de ser cidadãos, que trabalham e descontam impostos e que portanto continuam a ter direitos ao contribuírem para o funcionamento da sociedade, provavelmente iriam apenas engrossar o número de votos nulos e brancos. A atitude do governo, o aumento dos seus membros, representa, isso sim, um aumento considerável de despesas.

Não percebo, embora os desafios e os problemas mudem com o decorrer do tempo, porque é que cada novo governo, como se quisesse inventar de novo a pólvora a períodos de 4 anos, precisa de novos ministérios e secretários de estado. Enquanto penso nisto o que me vem à cabeça, repetidamente, é aquela canção do saudoso Zeca Afonso: venham mais cinco, duma assentada que eu pago já. Pago já!

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