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Na Bulgária, com São Cirilo e São Metódio

Através da chuva, ao longo da estrada, viam-se figuras fantasmagóricas vagando entre as árvores. Era o início da colheita de bagas silvestres, a época mais doce do ano para este povo que gosta de fazer as coisas que os ursos fazem. Os bosques, imersos em chuva miudinha, enchem-se de famílias a colherem bagas – sobretudo amoras e mirtilos. Não é o tipo de cena que os turistas antecipam neste país onde a riqueza das paisagens está em contraste com a pobreza das pessoas que nele vivem.

A Bulgária é estatisticamente um dos países mais pobres da União Europeia, mas, século após século, os povos de expressão búlgara têm contribuído mais para a civilização europeia do que seria expectável dada a sua reduzida população.

Seria necessário uma coluna mais espaçosa para listar as suas principais contribuições. Por agora, basta mencionar os irmãos Cirilo e Metódio que, embora não tenham nascido no território da atual Bulgária, foram teólogos e missionários que aqui viveram no século IX. O mais jovem foi educado na escola dos filhos da família imperial bizantina. Tinha um talento especial para a aprendizagem de idiomas estrangeiros e foi bibliotecário da Igreja Patriarcal de Santa Sofia, em Constantinopla.

Foram eles que cristianizaram os Eslavos e é a eles que se deve a invenção do alfabeto cirílico e a tradução de inúmeros textos sagrados para as línguas destes povos. O trabalho de evangelização dos eslavos da Morávia antagonizou o clero de expressão germânica que os acusou de heresia por não utilizarem na liturgia e na educação religiosa uma das três línguas sagradas, i.e. grego, latim ou hebraico.

De facto, os búlgaros têm muito orgulho na sua língua. Foram os primeiros, entre as nações eslavas, a criar uma rica literatura tanto religiosa como profana. A tradução das Escrituras foi uma notável conquista cultural. Nas igrejas e na corte, o idioma vernáculo substituiu o grego. Em seguida, o alfabeto cirílico e a liturgia eslavónica expandiram-se da Bulgária para a Sérvia, Rússia e outros países. Cerca de trezentos milhões de europeus usam o alfabeto cirílico. Além dos búlgaros, russos e sérvios, também os bielorrussos e macedónios o utilizam.

Quiçá algum leitor esteja tentado em visitar os lugares por onde passaram os Santos Cirilo e Metódio. Em particular nesta atura do ano, quando pode aproveitar para fazer belas caminhadas nas montanhas dos Cárpatos. Uma actividade boa para a saúde e, sobretudo, para a bolsa. Os preços são imbatíveis e as florestas não arderam. Boa viagem! Добро пътуване!

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