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Editorial

Um novo cardeal português foi criado pelo Papa, José Tolentino. Este padre madeirense move-se muito bem no universo da cultura, sobretudo na área da teologia e da criação literária.

No acto da investidura como cardeal, ouviu do Santo Padre: – “Tu és a poesia”. O Papa sabe que a criação poética é um dos mundos onde magistralmente se move Tolentino. Significativamente, desde sempre com preocupações pastorais, como simples pároco, está embrenhado nos problemas da exegese bíblica e vive, e exprime a realidade poética como uma das vozes mais originais.

Nele, a poesia reflecte realmente a vida. Por isso não estejamos à espera que o novo cardeal se movimente com a pompa de outrora, no cerimonial formal, no roçagar das vestes brilhantes, mas se aproxime das pessoas na construção de uma igreja próxima dos mais humildes. Ser cardeal, para Tolentino, é um serviço seguindo no rasto do ministério do Papa Francisco. É ele que escreve num dos seus livros de poesia: “só a beleza pode descer para salvar-nos”. Encontramos na poesia de José Tolentino a alegria íntima da partilha da vida com o outro, afirmação da compaixão por tudo o que sente e sofre; uma poesia que não se fecha em si mesma, mas que sabe escutar e que se abre, sempre solidária, com o outro na busca de interpretar os sinais dos tempos. E que sabe, como afirmou há dias, que «ser cristão é um risco, ser humano é um grande risco». Para ele a fé não é uma anestesia mas um caminho que se propõe ao homem como um desafio fundamental.

Agora podemos falar de um poeta que é cardeal, de um cardeal que é poeta, construtor do mais fundo silêncio que se transforma em palavra, oferenda solidária de beleza e plenitude.

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