Chegou Outubro. O Verão já se despediu, um Estio quente e seco sem aquelas chuvadas de fim de Setembro que vêm animar e reverdecer os campos. O calor tarda em ir-se embora e da chuva nem sinais.

Já lá vai o tempo em que por estes dias aconteciam as primeiras grandes chuvadas e os primeiros frios para dar lugar, depois, ao chamado Verão de S. Martinho, mais morno, mais acolhedor. É verdade, os tempos são outros. Fala-se de alterações climáticas e da dramática falta de água.

Outubro entrou por aí como continuação dum tempo cansativamente quente. E traz à memória outubros de antigamente. Lembram-se? Era sempre no dia sete, o cheiro a livros novos, a mala às costas e as ruas pontilhadas de batas brancas. Era sempre no dia sete que era a abertura do ano escolar e renasciam esperanças e sonhos. Era um tempo de promessas que, de certo, se iriam realizar durante o ano escolar que então começava. Agora o ano escolar começa em qualquer dia, as férias grandes são pequenas e já não há batas brancas pelas ruas, nem nos recintos escolares.

Os tempos mudaram. Certamente que não é melhor nem pior, é diferente. Talvez só os sonhos ainda sejam os mesmos, os mesmos anseios que crianças e jovens albergam sempre e sempre esperam ver realizados. E tantas vezes só não se realizam porque um adulto se atravessou no caminho e, em vez de alimentar sonhos e esperanças, corta as asas e impede o voo inicial que pretendia ir pela vida fora a conquistar a vida.

Chegou Outubro. Então saibamos viver estes dias outonais, apreciar os lentos pores-do-sol. O tempo não é um mal nem é uma doença. São mil oportunidades que nos são oferecidas para viver e que vão passando.

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