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O País dos peditórios

Para evitar más interpretações afirmo que não sou contra os peditórios, como não sou contra o enxame de concertos que se sucedem como praga neste país de “brandos costumes”. Porém o nosso povo costuma dizer “o que é demais é moléstia”.

Ora é precisamente contra a proliferação dos peditórios que eu me insurjo. Vamos enumerá-los para que o leitor possa fazer uma ideia do exagero do seu número. Sei que as associações que os fazem me merecem todo o respeito mas gostaria que os portugueses refletissem no abuso que é sensibilizar as pessoas com tantos peditórios.

Faz-me lembrar sempre a crise da República em que o governo português já não tinha quem lhe fiasse. Comecemos pelo peditório do chamado Banco da fome. Segue-se o Peditório contra o cancro, o peditório da Cruz Vermelha, o peditório da Cáritas, o peditório para os animais abandonados e agora dois peditórios novos: para comprar material escolar para as famílias carenciadas e para as mulheres com cancro de mama.

Já não falo aqui dos peditórios para as festas mais variadas nas nossas vilas e aldeias e muitos mais que, neste momento, não me lembro.

Que somos um país de pobres, o que muito pouca gente não quer admitir, é verdade, mas somos sobretudo um país de pedintes. Bem sei que o Estado é o grande pedinte por isso a nossa dívida é enorme. Se o Estado dá o exemplo como é que os restantes cidadãos não hão-de seguir a tradição?

Uma coisa eu admiro no nosso povo, sobretudo naquele povo anónimo e pobre que sempre se mostra tão generoso tirando do pouco que tem para quem não tem nada. Tenho que admitir que nisso somos exemplares e sublinho os pobres porque sofrem na pele aquilo que os ricos nem pensam.

Caros leitores, vamos exigir do Estado aquilo que é do seu dever: saber empregar bem os nossos impostos que são muitos e exagerados. Internacionalmente, às vezes parecemos um país rico. E para que conste eis uma novidade no ensino no novo ano escolar próprio de quem quer deitar pela janela o pouco dinheiro que tem: uma colega  disse-me que numa determinada escola deste país vão desenvolver uma novidade pedagógica na área do português: os alunos vão ter três docentes: um para oralidade, outro para a gramática e um terceiro para o Português propriamente dito. É bom? É mau? Não consigo dizer, mas que é exagerado é.

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