Home > Saúde > De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Dia Mundial de Luta contra a Raiva e os seus mitos

Por: Dr.ª Telma Gomes

Aproxima-se o Dia Mundial de Luta contra a Raiva. Aproximam-se também as campanhas de vacinação antirrábicas e de identificação eletrónica promovidas pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.

Com estas datas aproximam-se também os mitos. Talvez o mais conhecido seja “eu não vacino porque os animais depois ficam sem faro”. Ou “os animais morrem depois da vacina”. Ou o célebre “não preciso de vacinar porque não há raiva em Portugal.”

É difícil contrariar ideias instituídas, mitos antigos. Por que razão é tão importante vacinar contra a raiva?

A raiva é uma doença viral que é quase sempre fatal, após a manifestação dos sinais clínicos. Em mais de 99% dos casos, são os cães os transmissores da doença aos humanos, ainda que possa afetar animais selvagens. Transmite-se pela saliva, através de mordidas ou arranhões. Ocorre em todos os continentes, já regressou a Espanha, em junho deste ano, através da importação de um animal vindo de Marrocos.

Há também relatos de casos em França, e o facto é que os circuitos silvestres não conhecem fronteiras… A forma mais eficaz de proteger contra a doença é através da vacinação, dos cães e de humanos em alto risco de contágio.

Agora que já percebemos a gravidade da doença de que falamos, vamos aos mitos.

Existe um motivo para o ato vacinal ser um ato médico veterinário. O animal tem, obrigatoriamente, de ser observado antes de ser vacinado. Caso esteja doente, não deverá ser vacinado. Caso esteja parasitado, não deverá ser vacinado. Todos nós sabemos, quantas vezes, os animais são levados à vacina, cheios de carraças, mal nutridos? Doentes? Tendo vivido a vida inteira presos a uma corrente de um metro, comendo comida azeda? E depois vão à vacina anual, como quem vai dar uma voltinha, stressados e a levar tareia, porque nunca saíram do espaço a que estão confinados, e espera-se que tudo corra bem. Felizmente, esta realidade tende a diminuir, assim como
tendem a diminuir as reações vacinais. Vejamos, o problema não é da vacina: o problema é do estado em que estão os animais, todo o ano. A vacina interfere com o sistema imunitário do animal, com as suas defesas. É mesmo isso que se pretende. Se o animal está mal alimentado, se está cheio de pulgas, carraças e lombrigas, se está stressado, como é que esperamos que esteja o seu estado imunitário? Como esperamos que estejam as defesas? A raiva só (ainda) não existe em Portugal porque a vacinação tem sido feita de forma sistemática. Não vacinar é uma ofensa a todos os que morrem às mãos da raiva, tantos como dezenas de milhar, sobretudo na Ásia e em África. É, simultaneamente, uma responsabilidade pessoal e coletiva. Tratemos do que é nosso, e protejamos os demais.

 

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook