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Falhanço dos quiabos

É difícil de acreditar mas estamos no mês de setembro. Talvez seja melhor habituarmo-nos à realidade de, muito em breve, chegarem as chuvas e as árvores começarem a mudar de cor. Mesmo assim, a capital do Canadá continuar bonita. As pessoas têm ótimo aspeto e nem na mudança de estações têm o ar carrancudo dos habitantes de outras capitais.

Aproxima-se o outono que é uma época de grande atividade, tanto no universo humano como no dos animais em geral. Como se todos soubessem que se trata do período de ouro do calendário. Mais alguns dias e os turistas desaparecerão. A cidade encontrará, então, a calma, a serenidade e a autenticidade que a caracterizam. Sim, o verão entrou na etapa final e muitas pessoas fazem o balanço dos seus sucessos e falhanços.

Há já uns anitos, escrevemos um apontamento sobre a destruição dos tomateiros por uma família de guaxinins. Concluímos que, no ano seguinte, lhes trocaríamos as voltas. Com efeito, plantámos malaguetas tailandesas e foi remédio santo. Na primavera passada, com o mercúrio do termómetro a subir, resolvemos plantar algo diferente. Inspirou-nos uma troca de impressões com um camponês dos arredores de Basseterre, capital da Federação das ilhas de São Cristóvão e Nevis. Resultou dessa conversa que talvez fosse fácil plantar quiabos (Abelmoschus esculentus), um dos alimentos caribenhos que mais apreciamos. E logo pensámos em partilhar com os amigos uma “jambalaya” à moda da Luisiana, com muitos quiabos.

Quando lhe dissemos que os verões canadianos não eram suficientemente quentes e longos, que seria impossível esta planta tropical crescer até à maturidade, ele riu-se e explicou que sim, que era possível. Como podia estar tão seguro? Respondeu que tinha um irmão emigrado em Toronto que os plantava no jardim atrás da casa.

Tanto o entusiasmo como a hesitação tinham a sua razão de ser. Com efeito, o cultivo não foi tão complicado como parecia à primeira vista. Porém, forçado é reconhecer que não resultou. Os quiabeiros  (okra) têm uma estrutura única. As flores assemelham-se aos hibiscos e parece que, no caule, as vagens estão de cabeça para baixo. Um amigo ofereceu-nos os rebentos e avisou que, como as raízes são bastante frágeis, não se transplantam bem. Cresceram até cerca de meio metro e em seguida definharam. Lemos que estas plantas só se dão bem com temperaturas diurnas superiores a 26°C e temperaturas noturnas acima de 15°C. Em Otava, a estação foi ótima para os pirilampos mas horrível para os quiabos. Desta vez, nem podemos acusar os guaxinins. A ousadia do “horticultor” deve estar na base de tamanho fiasco. Ou quiçá tivesse sido o verão que não cooperou.

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