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As grandes enciclopédias

«Desde a publicação dos 35 volumes compilados por Diderot e D’Alembert, estas obras continuam a ser uma fonte de informação sobre quase tudo. Como é óbvio, agora também existe a Wikipedia mas a velocidade da internet dificilmente compensa o rigor das antigas enciclopédias em papel, filhas do Iluminismo do Século XVIII. Pensava-se então que tudo o que se sabia poderia estar resumido entre as capas de uma fileira de volumes pesados.

Quando a biblioteca municipal se encontrava instalada no edifício amarelo, hoje ocupado pelo “Turismo”, os muitos volumes destes mananciais de saberes eram muito requisitados. A mais majestosa era a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” em 40 volumes publicados entre 1936 e 1960, aos quais foram acrescentados mais uma dezena. Depois apareceu a “Verbo”. Foi nelas que iniciámos o bê-á-bá da educação e da cultura geral. Recordamos as horas sem conta passadas a pesquisar matérias cativantes, a aprender coisas novas e a descobrir lugares exóticos. Ainda as consultamos.

Eram uma presença marcante nas estantes das raras famílias que, nesses tempos, se podiam dar ao luxo de as comprar. Tratava-se de um investimento significante, pois o preço era elevado. Sobretudo para as famílias com menos recursos e que, muitas vezes, não possuíam outros livros. No entanto, pensavam que valia a pena. Vendedores de porta em porta eram persistentes a convencerem os pais que, sem essa ferramenta, o sucesso escolar dos filhos não seria muito brilhante.

A certa altura, fomos estudar para o estrangeiro e abriram-se outras avenidas de desenvolvimento pessoal. Para começar, tínhamos acesso a excelentes bibliotecas tanto a da família de acolhimento como as da cidade. Possuíam várias enciclopédias, obviamente apenas em versão impressa, sendo a “Encyclopaedia Britannica” a preferida. Contudo, após 244 anos no primeiro pelotão deste tipo de livros, em 2012, cessou de se publicar. Tal como as suas congéneres, em inglês ou noutras línguas, apenas existe online.

As economias modernas são cada vez mais baseadas no conhecimento e abrir-se-á um abismo entre aqueles que utilizam fontes sérias de referência e aqueles com informações superficiais, quiçá enganosas. “Factos falsos” que são corolários de notícias falsas. O mesmo se passa na governação do país e sugerimos a edição de um “Dicionário Enciclopédico dos Embustes Políticos em Portugal”. Vender-se-ia bem e teria fascículos de atualização semestral. Um “best-seller”!

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