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Quando o mar bate nas rochas…

Fui de manhã cedo renovar o cartão de cidadão. Bati com o nariz na porta: greve dos funcionários. Voltei no outro dia. Não veio, por mim, mal de maior ao mundo! Acredito até, embora sem pleno conhecimento das suas questões, que terão razão no seu protesto.

A greve é um direito inalienável dos trabalhadores, muitas vezes o único que têm para exercer pressão sobre o patronato. Se bem que normalmente me coloque mais do lado dos que protestam, entendo que é simplificar demasiado uma sociedade bipolar: dum lado o trabalhador do outro o patrão, como se fosse um conflito entre os bons e os maus. Acho que nos dias de hoje as greves se têm vulgarizado sem antes se esgotarem todas as possibilidades de negociação ou sem que antes se procurem outras formas de protesto como as manifestações pacíficas. Algumas têm até uma forte componente ideológica o que também me parece um exagero desvirtuando mesmo a sua própria razão de ser. Os grevistas têm, frequentemente, a possibilidade de fazer parar certos setores da sociedade ou, como no caso dos camionistas, dos quais se prevê uma paralisação, de parar toda a sociedade com prejuízos sociais e económicos difíceis de prever ou de ultrapassar.

Quando se começou a exercer esta forma de protesto tratava-se de um braço de ferro entre duas situações antagónicas: dum lado, voluntariamente, os empregados desistiam de receber o seu ordenado durante os dias em que não produziam; o patrão, como consequência, não tinha lucros sendo portanto também penalizado. Hoje não é assim: esta conceção de patrões e empregados está cada vez mais diluída nas grandes empresas e sobretudo no Estado. Se bem que da parte dos trabalhadores o protesto se continue a manifestar pela paralisação ao trabalho, sem receber ordenado, o prejuízo da parte do patrão é muitas vezes diluído. O verdadeiro prejudicado é o cidadão comum, a moeda de troca, concorde ou não com os motivos dos grevistas, e, como se diz, quando o mar bate nas rochas…

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