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Editorial

Não esqueças nunca Tre blinka e Hiroshima O horror o terror a suprema ignomínia

Sophia de Mello Breyner

Há hoje um fenómeno profundamente perturbador. O Homem, apesar das lições da história, comporta-se como um animal territorial. Como certos animais que de forma agressiva defendem o seu espaço, assim também em muitos recantos do mundo, o homem exclui o outro, segrega o diferente.

Repare-se, como exemplo, o que ocorre com os migrantes que tentam chegar à Europa fugindo dos seus países em busca de melhores condições de vida. Em vez de políticas de inclusão vêem-se rejeitados e até perseguidos por alguns Estados. Apesar das lições da história parece que nada se aprendeu. Continuamos a perseguir o outro por ser outro. Os versos de Sophia remetem para um desses momentos de suprema desumanidade que foi o holocausto. Hoje em dia verifica-se esta inquieta conduta humana nas multiformes manifestações de racismo. Em vez de conquistar e dominar; em lugar de explorar e de coisificar o outro porque não considerá-lo como um igual com quem podemos partilhar e caminhar juntos? É esta ideia de partilha que pode ser a base humana de uma convivência pacífica em substituição do confronto. Este e a dominação não serão uma inevitabilidade histórica. Somos todos actores do mesmo palco onde, em vez da violência, podemos interagir na construção da mesma história.

Deixamos tantas vezes que o medo do desconhecido e do diferente se sobreponha ao diálogo e à cooperação. Só é possível um mundo de paz se pensarmos o outro não como uma ameaça e limitação, mas aceitá-lo como possibilidade de crescimento e de partilha de vida.

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