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Venezuela, “socialismo” à paulada

Em 2005, após a realização de um projeto de pesquisa na pátria de Simón Bolívar, publicámos neste semanário um apontamento intitulado “A Venezuela era uma festa”. Mal imaginávamos então que os residentes nesse país iriam sofrer enormes privações. Muitos dos portugueses entrevistados já desconfiavam das intenções do coronel Hugo Chávez. Baixavam a voz e repetiam, com frequência, que a política deles era o trabalho e que passaram a vida inteira a labutarem como mouros. Temiam o futuro e parecia que estavam a adivinhar onde os levariam a parelha Chávez-Maduro, cujas políticas confirmam a validade da Lei de Murphy, “não há nada que esteja tão mal, que não possa piorar”. Em setembro, andámos pelas repúblicas andinas e pudemos observar sobretudo na Colômbia e no Perú o influxo constante de refugiados da revolução venezuelana. Segundo a ONU, são no total mais de 4 milhões, números equiparáveis aos da Síria. Desejam refazer a vida em países com governos “capitalistas” e não nos “paraísos” cubano ou de Evo Morales. Ainda ontem ouvimos um apologista destes regimes recorrer ao patético argumento da geografia para explicar a escolha desta gente. Perguntámos se ele não sabia que estão a chegar dezenas de milhares também às longínquas fronteiras da Argentina e do Chile, após uma dolorosa travessia do Altiplano do autodenominado Estado Plurinacional da Bolívia. Se os ricos e parte da classe média já tinham abalado antes da morte do golpista, sublinhe-se que presentemente são os pobres que fogem a sete pés da fome e da desordem que imperam na republiqueta bolivariana. Porquê? Os media lusos advertem sobre as “fake news”, i.e. todas as notícias que não afinam pela mesma ideologia hegemónica. Não hesitam em lavar cérebros quando, em geral, escondem ou não indagam sobre os motivos da ”crise”. O que eles denominam por “crise” é, como ficou bem demonstrado, mais uma falência do “socialismo” enganoso que nos tentam impingir. As mesmas causas engendram os mesmos efeitos ou, como afirmou um luso-venezuelano, “é a cobiça que muitos medíocres e nulos sentem em relação aos cidadãos que trabalham, produzem e criam riqueza”. Ponto final. Estas verdades nunca aparecem na grande comunicação social. Quem terá coragem para as divulgar? A resposta é, como a do Romeiro no Frei Luís de Sousa, “ninguém”!

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