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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Por: Dr.ª Telma Gomes

Estávamos com uma infestação de ratos, aqui em casa. Não propriamente no interior, felizmente, mas na garagem, na casa das rações… O meu pai andava desconsolado: com três gatos em casa, nenhum lhe tratava do problema. Precisamente por termos outros animais, e por sabermos o quão nefastos podem ser os raticidas para os predadores naturais, como para as corujas, e outras aves de rapina, não utilizamos esses produtos aqui em casa. O facto é que a proliferação destes roedores estava a ser exagerada, tornando-se numa praga.

Certo dia, acordei estremunhada, como se estivesse, algures lá fora, a ocorrer algum desmantelamento. Ouvi: “busca, Dolito!”, e percebi do que se tratava. O fiel parceiro do meu pai, um rafeiro bem apuradinho, preto, de pata curtinha e focinho comprido, o cão mais musculado e meigo que conheço, que vive para usar o seu faro, tinha encontrado uma grande, grande ratazana. Afinal, foi o cãozito que salvou as honras da casa.

Este episódio inspirou-me a escrever-vos este artigo: é importante conhecermos os animais que nos rodeiam, e a sua importância num ecossistema.

Os ratos, nome genérico para alguns pequenos mamíferos da ordem dos roedores, são animais extremamente inteligentes e adaptáveis a diferentes meios: campo, ou meio urbano.

No meio natural, assumem um papel relevante na cadeia alimentar de vários predadores, não só das aves que já referi, como também de raposas, cobras, e até do lince-ibérico, cuja reintrodução tem sido foco de
grandes esforços. São animais de hábitos noturnos, e reproduzem-se muito facilmente, podendo ter entre 6-9 ninhadas por ano, de 8-16 crias, con- soante a espécie.

Neste meio natural, a sua proliferação, como em qualquer ecossistema equilibrado, está controlada. O problema surge quando ocorre uma invasão dos meios urbanos, muitas vezes, pouco higienizados, ou com um deficiente armazenamento dos alimentos. Dada a sua facilidade de adaptação a diferentes meios, e eficiente reprodução, facilmente nos deparamos com uma praga: destruição de estruturas, perdas de produção, e veículo para transmissão de doenças.

Destaco a peste negra, transmitida por uma espécie de pulga, veiculada por estes roedores, que dizimou um terço da população europeia entre as décadas de 40 e 50 do século XIV, ou a leptospirose, transmitida por uma bactéria que vive na urina do rato, zoonose grave, potencialmente fatal para os nossos animais, e para nós, humanos.
Como evitar esta praga? O pior que pode fazer é colocar veneno. Para além de ser uma morte atroz para o animal, está também a matar aqueles predadores que se alimentam do rato envenenado. A melhor forma, é evitar o problema, antes de ele acontecer: procure ter as rações e os grãos bem acondicionados e armazenados, as frestas e aberturas deverão ser bem vedadas. Sempre ouvi dizer que “a ocasião faz o ladrão”… Mantenha os seus anexos, espaços onde guarda os seus animais, em boas condições de higiene, sem acumular lixos, e arrumados. Qualquer canto bem desarrumado é um potencial ninho.

Aqui por casa, tratámos de arrumar e limpar tudo, e acondicionar bem as rações. O Dolito deu o seu contributo, e Natureza encarregar-se-á do resto: se não tiverem boas condições para se reproduzirem, não o farão, e a sua esperança de vida encontra-se entre 1 a 2 anos. Lembre-se: pode sempre prevenir, respeite a Natureza, e evite o uso de tóxicos.

 

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