Amor precisa-se

Começo esta crónica por uma pequena história que para mim tem dois significados: às vezes daqueles que nós consideramos lixo nascem bonitas flores e também daqueles que parecem desprezar os valores morais da sociedade nasce o verdadeiro amor pelo semelhante. A pequena história passa-se na Roma antiga, no tempo do primeiro imperador Augusto. A patroa do maior prostíbulo da cidade dos Césares construiu na chamada “Insula Tiberina” um hospital para mitigar a dor de centenas de homens e mulheres que vagueavam como farrapos vivos pelas ruas da cidade. O próprio Augusto, diante de tal gesto também contribuiu com a sua proteção e dinheiro para tal obra. Vem isto a propósito das centenas de pessoas que, no nosso país, cuidam dos seus entes queridos sem qualquer apoio por parte do Estado. São os chamados cuidadores. Parece-me uma palavra esquisita que me cheira a burocracia estatal. Para mim seria mais significativa a palavra “servidores”. Mas já é um princípio. Ainda ontem fiquei espantado com uma notícia saída nos jornais: “Em Portugal foram apresentadas, desde Janeiro 2.778 queixas contra maus tratos a idosos, na sua maioria praticados pelos próprios familiares. Daí a importância do tema. Noutros tempos, como as famílias viviam próximas umas das outras, era fácil que as crianças e os mais velhos tivessem sempre alguém que olhasse por eles. Isto hoje em dia é impraticável pela grande mobilidade das pessoas. Por isso gostaria de chamar a atenção para aqueles familiares que ainda cuidam dos seus velhos ou daqueles cujas doenças os tornam muito limitados. Há quem o faça por necessidade, pela fé em Deus ou por amor por aqueles que lhes deram o ser sem pedirem nada em troca. E é sobretudo destes que eu gostaria de falar. São esses e essas, movidos por aquilo que há mais genuíno e profundo no ser humano, que dispensam os seus cuidados aos idosos não só porque são seus familiares ou próximos mas porque sentem nos seus corações aquela alegria de servir. Ora isto só se consegue porque o ser humano tem uma capacidade imensa de dar sem receber, de ajudar sem interesse, numa palavra de “Amar”. Infelizmente encontramos essa dedicação sobretudo em mulheres que, muitas vezes, esqueceram as suas vidas, porque se sentem assim compensadas, para não falar do Heroísmo de mães que tudo deixaram para cuidar das suas crianças. Além disso são por vezes as menos letradas, as mais humildes e até aquelas que as ditas elites desprezam que levam à letra o preceito do “Amor”. O Estado pode e deve ajudar mas tendo o cuidado de evitar burocracias inúteis e aproveitadores imorais. Duma maneira geral, diante do egoísmo dos nossos dias, eu direi: Amor Precisa-se.

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