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Editorial

O filósofo Kant afirmou que havia duas coisas que o enchiam de admiração: «o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim». Com efeito, quem não se emociona quando para por um momento e olha o céu em todo o esplendor noturno em toda a sua incomensurável imensidão e beleza. E também o que deixava o filósofo alemão cheio de espanto e comoção era a capacidade de o homem ser capaz de distinguir o bem do mal, sentir dentro de si uma voz orientadora dos seus atos. Mas nem sempre o ser humano se deixa guiar por essa voz interior e trai os ditames da consciência moral. Os órgãos de comunicação têm relatado situações em que os portugueses têm demonstrado uma rara capacidade de generosidade. O caso recente de uma criança a precisar de um medicamento escandalosamente caro em que, em poucos dias, se ultrapassou o preço necessário para a sua aquisição é exemplo dessa generosidade. Qualquer peditório nacional, para acorrer aos necessitados patenteia sempre a nossa capacidade de doação. Assim aconteceu quando, há dois anos, a tragédia dos incêndios atingiu o centro do país ceifando vidas e destruindo bens. Os portugueses souberam responder generosamente à perda de património por parte das vítimas dos incêndios. Agora correm nos tribunais casos em que os donativos, parece, não tiveram o melhor seguimento. Se assim for perguntamos: Como é possível que homens se aproveitem da desgraça de outros para seu benefício? Parece, estranhamente, que a voz interior de que fala Kant nem sempre se faz ouvir e não nos leva a discernir entre o bem e o mal. Ou será que, tantas vezes, porque somos livres, escolhemos não seguir o que nos dita a consciência moral?

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