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Damião de Góis, grande figura

Alenquer foi o local de nascimento deste humanista, diplomata e alto funcionário régio do século XVI, uma das personalidades de maior destaque do Renascimento em Portugal, com formação pelas universidades de Pádua, na Itália e Lovaina, na Bélgica. De família aristocrata, desde muito novo esteve ligado ao serviço do paço, tendo desenvolvido a sua formação na corte de D. Manuel I. D. João III enviou-o para a Bélgica, onde ocupou o lugar de Secretário da Feitoria Portuguesa de Antuérpia, com vinte anos de idade. Nesta importante missão, “passeou” pela Europa como se estivesse em casa e nesse contexto pôde verificar em Antuérpia o movimento das mercadorias também chegadas deste cantinho europeu. Em Gdansk, na Polónia, viu embarcar mastros das florestas para as naus portuguesas. Dotado de um espírito aberto e crítico, com uma cultura enciclopédica, foi considerado um
perfeito elo de ligação de Portugal com a Europa culta do seu tempo, tendo privado também com Erasmo de Roterdão e contactado Lutero e Inácio de Loyola, entre muitas outras personalidades europeias. Já agora refiro duas obras suas em latim e em português como sejam a “Crónica do Felicíssimo Rei D. Emanuel” e a “Crónica do Príncipe D. João”. Ora, quero dizer que tudo o que acima expus fui buscá-lo através da leitura do grande romance histórico do professor e escritor Fernando Campos, “A Sala das Perguntas”. Nesta obra, podem ficar-se a conhecer relevantes factos da história de Portugal, do período áureo a seguir aos descobrimentos. Sem ter de estudar história propriamente dita, ficamos com a exata noção da importância do nosso país, nesse tempo, numa leitura deste romance exemplarmente bem escrito e acessível. Não podia deixar de dizer que Damião de Góis, depois do que fez e demonstrou, no desempenho do serviço prestado à nação, foi molestado brutalmente pela nefasta Inquisição.

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