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Editorial

Voltamos ao mesmo tema da passada semana. Trazemos de novo a estas páginas aquela situação em que muitos milhares de seres humanos são de facto arrastados da sua terra, expulsos do solo que os viu nascer, empurrados para a emigração, por falta de condições de vida. Então, procuram legitimamente noutro lugar a existência que lhes é negada no seu país.

É um fenómeno que ocorre nos nossos dias em muitos pontos do globo revelandonos a face desumana do homem. Este, em vez de criar espaço e tempo para o outro, cria situações em que não há lugar para o acolhimento e para a aceitação incondicional. Na vida real esquecemonos de nos colocar perante a questão que um velho e sábio livro levanta: “Que fizeste do teu irmão?”. E passamos pelo outro voltando a cara ao lado com indiferença.

E o que nos fez voltar ao mesmo tema d`O Almonda da passada semana foi aquela fotografia que atravessou os meios de comunicação, se fixou nas redes sociais, interpelou cons- ciências: a fotografia de um pai e de sua filha mortos, afogados num rio quando tentavam alcançar os Estados Unidos para fugirem à miséria e à violência que tinham de suportar no seu próprio país. Ali, num quadro de horror que deveria atingir a nossa consciência e despertar-nos para a realidade da condição humana, tão vulnerável, os dois corpos são um grito, um pesadelo. Perante este quadro esmagador, o Papa Francisco manifestou profunda tristeza e comoção e continua a apelar para que no mundo haja lugar para todos. Continuaremos a assistir a mortes no Mar Mediterrâneo, nos rios da América ou em qualquer outro lugar porque há homens a quem a vida é negada no seu país?

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