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Editorial

Um jovem português, por ter andado a resgatar vidas humanas das águas do mediterrâneo, corre o risco de ser condenado em Itália a muitos anos de prisão. Está acusado de auxílio à imigração clandestina. Este português quer socorrer seres humanos que saíram dos seus países fugindo à guerra, à fome e à miséria, buscando na Europa melhores condições de vida. Chegam às costas europeias sabe-se lá em que condições ou fugindo de que perigos e muitos correm o risco de perecerem no mar mediterrâneo. E têm morrido já muitos milhares, com a Europa à vista, por falta de socorro. Pois são estes homens, mulheres e crianças a que Miguel Duarte – fazendo parte de uma organização não governamental – lança a mão salvadora. É crime impedir que estes migrantes morram afogados?

É certo que todos os países têm o direito de defenderem as suas fronteiras e de impedir a imigração ilegal. Porém, não é ali, no final do percurso, que está a raiz do problema. É nos países de origem de onde fogem estes seres humanos, onde são muitas vezes os in- teresses geoestratégicos, os negócios dos países ditos ocidentais, que provocam os problemas e o sofrimento de que estas pessoas fogem. Neste caso não se está, de modo algum, a promover a imigração. Responde-se a um drama humano. Em nome de um valor maior, que é a vida, cumpre-se um velho mandato: Ama o teu irmão. Sem outro interesse que não seja o de salvar do perigo seres humanos, alguns homens dizem presente e não passam indiferentes quando o pedido de socorro se faz ouvir. Cumprem-se aqui, estritamente, os direitos humanos. E isso não é crime.

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