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Santo António

“Minha avó tem lá em casa

Um Santo António velhinho

Em as moças não me querendo

Dou pancada no santinho”

Ao ler esta quadra num manjerico à venda numa das muitas bancas que há espalhadas nesta época por toda a Lisboa, recordo-me da minha vizinha Zézita, com quem sempre mantive uma relação de amizade muita bonita e especial apesar de termos uma grande diferença de idade. Solteirona ou talvez fosse mais adequado dizer solteirinha, dado o seu elevado porte atlético!!! A Zézita nem devia medir metro e meio! Mas o que lhe faltava em altura, tinha de engraçada. Ela tinha muita graça! Sempre me lembro dela quase sem voz. Reza a história que teve uma arrelia de tal ordem que ficou afónica durante anos a fio e quando recuperou, recuperou muito pouco. Mas volto a dizer… tinha mesmo muita graça! Houve uma época que privávamos semanalmente pois íamos juntas, fazer a decoração da igreja. Eu, ela e mais duas vizinhas. E sempre que chegava a altura de arranjar a jarra de flores do Santo padroeiro de Riachos que por sinal é o Santo António lá ouvíamos a Zézita a dizer… Flores ?! Hummmm, Flores ?! Merecia era estar de cabeça para baixo!
Fosse ele mais levezinho e já estava. Oh se estava… e ria-se! Ria-se ela e riamo-nos nós! Há meia dúzia de anos, quando cheguei das minhas férias de verão soube que a Zézita tinha partido. Assim de repente! Tal como a sua voz.

“O Santo António das moças

Perdoa seja a quem for

Os delitos desta noite

Que se façam por amor”

E com esta me despeço pois TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO É TRISTE (que saudades Zézita) TUDO ISTO são COISAS e CENAS & CENAS e COISAS

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