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Quatro jovens mães, quatro bebés e quatro carrinhos

Há muito tempo que não presen- ciava uma cena tão ternurenta e ao mesmo tempo tão insólita nestes tempos egoístas que correm. Por acaso estava a tomar café no Modelo e à minha frente ocupando duas mesas quatro jovens mães, muito alegres, conversavam. De vez em quando tiravam os seus bebés dos seus carrinhos para os mostrarem às outras amigas ou para dar de mamar. Achei a cena duma beleza e significado extraordinários nestes tempos em que, muitas vezes os nossos jovens ou as nossas jovens são criticadas pelos seus comportamentos tão fora dos padrões morais em que os mais velhos foram formados. Lemos e relemos, com alguma preocupação, que a natalidade está em mínimos históricos e uma das razões evocadas para tal é a dificuldade que os jovens casais têm em encontrara casa e empregos que lhes permitam ter mais que um filho. Além do egoísmo natural, falta o amor autêntico que nos conduz a reproduzirmo-nos como fruto natural desse amor. Ora ali diante de mim estava um quadro que desmentia em parte
Quatro jovens mães, quatro bebés e quatro carrinhos esta mentalidade. Todas aquelas jovens (e pareciam-me bem jovens) eram a demonstração do amor realizado naqueles quatro bebés e na naturalidade como uma delas, sem qualquer preconceito deu de mamar ao seu bebé num lugar tão público! Todas conversavam alegremente, descontraidamente como se a maternidade lhes iluminasse os rostos e a alma. Nada sei das suas vidas, nada sei dos seus problemas, nada sei das suas ideias, mas sei que naquele quadro pareciam-me ausentes todas as preocupações, todas as tristezas da vida. Ainda por cima, todos os bebés, embora acordados não choravam, pelo contrário, quando alguma das mães os tiravam dos carrinhos, pareciam-me sorridentes e satisfeitos. Talvez algum ou alguns críticos possam achar lamechas estas minhas considerações, mas garanto- -vos que de “lamechice” só pode ter a leveza e a pressa com que esta minha crónica for lida.

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