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Editorial

É claro que precisamos de ritos e nos alimentamos de mitos. Eles são uma das forças congregadoras dos homens em comunidade. Sabemos que sempre assim foi desde o princípio. Por isso aí estão as festas, as manifestações, os cânticos colectivos… Por exemplo, o futebol é hoje um fenómeno que está para lá do desporto. Ele é, entre outras muitas coisas, paixão, manifestação social. Olhem-se as bancadas de um estádio: as bandeiras, as cores, os cânticos… Todos os povos se identificam pelos seus ritos que remetem para o passado e impulsionam para o futuro. Mas quando o rito se transforma apenas num ritual, perde toda a força, deixa de ser força impulsionadora e doadora de um sentido para o presente e para o futuro. Tudo isto vem a propósito da festa do “10 de junho” que ocorreu nesta semana. Se o 10 de Junho não é mais do que a atribuição dumas condecorações, umas referências aos portugueses dispersos pelo mundo e uma ou outra evocação de Camões, com desfiles militares, clarins e tambores, é muito pouco. É necessário que ele seja um olhar para o passado com o que ele tem de positivo e de negativo. Pensamento acerca do que fomos e proposta de ação transformadora e que mobilize no presente em direção ao futuro. Celebrar o Dia de Portugal é olhar para um velho país onde se pode fazer melhor para que todos, mas todos, tenham melhores condições de vida; onde um povo não esteja dividido em dois povos, um com tanto e outro sem o necessário para ter uma vida digna. Celebre-se o 10 de junho, sem pessimismos, mas também sem deslumbramentos. Emende-se o que se tem de emendar e aponte-se um rumo congregador e que nos leve, como povo, para o futuro.

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