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Editorial

Causará estranheza, inquietação, a qualquer consciência animada de sentimentos humanos, que no nosso tempo e em todo o mundo, a pobreza e a fome ainda sejam dois flagelos que atormentam a vida de tantos milhões de homens. Diz-nos a história que, no passado, a fome era um fenómeno sempre presente e ameaça sempre constante para a humanidade. Mas hoje, com tantos recursos, tanto progresso técnico e tanta proclamação dos direitos humanos, é escandaloso que não se procurem respostas eficazes no combate à miséria e à pobreza. São profundamente preocupantes as recentes declarações do Presidente da Cáritas Portuguesa afirmando que no nosso país o número de pobres está a aumentar, que se acentuam as desigualdades sociais e se vai por um caminho de destruição dos recursos naturais. No século passado pretendia-se reduzir a pobreza no mundo, sonhou-se até em erradicar a pobreza, mas veja-se ao estado a que chegámos, ela, ao invés, está a aumentar e atormenta mais e mais seres humanos. Como foi possível chegar a esta situação? A ganância, a acumulação escandalosa de riqueza, o fosso cada vez maior entre pobres e ricos, dão-nos um mundo cheio de desequilíbrios sociais e económicos. Chegámos a um tempo em que não basta ter trabalho para fugir à pobreza. Há situações de trabalhadores que não ganham o suficiente para sustentar as suas famílias. Temos um Ministério da Solidariedade. Solidariedade que se proclama ou que se pratica? Que combate por medidas reais e de alcance estrutural e não apenas por medidas de circunstância para parecer que se faz alguma coisa? A pobreza é um grito, um apelo à nossa consciência. Mas parece que é um problema que não toca a nossa indiferença. A nossa indiferença e o alheamento dos poderes públicos.

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