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Ensaio sobre a lucidez

Nas eleições para o Parlamento Europeu é de relevar alguns aspetos. O nº de partidos a concorrer: 17 se não me enganei a contar quando votei. A diversidade que por norma é positiva, neste caso, não parece trazer vantagens concretas já que muitos dos partidos (para concorrer basta arranjar 75000 assinaturas) se assumiam apenas como representando um setor específico da população ou pareciam procurar apenas tão só de antena. Regista-se a entrada dum novo partido para a PE o PAN que, face aos resultados de todos os outros, é o verdadeiro vencedor destas eleições, provavelmente em resultado dos votos da malta mais nova. O maior perdedor foi o partido do Santana Lopes que ficou ao nível de outros partidos recém-formados. Os 6 partidos que conseguiram eleger deputados colheram pouco mais do que 83% dos votos sendo os restantes distribuídos pelos remanescentes 11 partidos. O mais relevante foi a abstenção. Embora não concorde, compreendo esse desinteresse porque não me parece que, para a maior parte das pessoas, seja evidente em que é podem ser beneficiados por eleger, seja de que partido for, pessoas que vão para Bruxelas ganhar o belo, enquanto a malta faz contas para chegar ao fim do mês. Esta elevada percentagem de pessoas que se desinteressam, continuando cidadãos de pleno direito porque trabalham e descontam, é principalmente culpa dos políticos porque não conseguem convencer as pessoas, nem pelas palavras, muito menos pelas atitudes. 68,8 % de abstenção e 7% de votos nulos e brancos! Esta % leva-nos a questionar o próprio sentido da democracia, e esta abordagem não é nova! Já Saramago, em 2004, escrevia sobre isso, dissertando sobre um hipotético país em que, numas eleições, na capital, 83% por cento dos votos foram em branco: Ensaio sobre a lucidez.

 

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