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Aí está de novo a Feira que não é feira como aquelas que desde sempre, periodicamente, se instalam em Torres Novas e que, teimosamente, vão resistindo ao tempo. Esta é a Feira em que se recriam factos, acontecimentos, per- sonagens do passado. Durante alguns dias, personagens representam o que foi outrora, trazem para o presente, como se isso fosse realmente possível, vivências da nossa história. Há aqui um recuar no tempo. Tempos sombrios são os que desta vez se memora. É a época de um tal Pedro de Lencastre, figura ilustre que viveu no século XVII e foi mar- quês de Torres Novas. E foi também inquisidor geral do Reino. Julgamos que por isso são esses tempos designados de sombrios. Com efeito, quando os homens querem ser senhores da consciência de outros homens e zelando pela “pureza” das ideias, punem, torturam e matam, esses tempos têm de ser opressivos e sombrios. Não se pode apagar a história, e sempre, em todos os tempos o homem praticou desmandos e praticou a crueldade para com o outro. Mas também sempre houve homens que resistiram ao medo e à crueldade. Pois aí está a Feira que pretende recuperar uma época ao passado. O nosso passado comum. Por isso ela é um forte factor de identidade; um momento em que nos identificamos como comunidade e ela nos congrega pelo que fomos e donde viemos e nos dá força para caminharmos para um futuro comum. A Feira é um lugar de comércio, compram-se e vendem-se coisas, é um momento de aprendizagem pelo reviver do passado, onde se trocam ideias e se reencontram amigos e conhecidos. Ela diz-nos que somos uma comunidade. Vamos à Feira: tempo de encontro com as nossas raízes culturais.

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