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Olhando pelo retrovisor

Nas semanas que passaram vários foram os factos que o observador político e não político captou para a memória, obviamente futura. Desde logo o espetáculo pouco digno que a Assembleia da República quis dar aos seus contribuintes, ao chamar a si o diploma do governo sobre a contagem do tempo de serviço perdido, das carreiras especiais da função pública. Todos os partidos deram cambalhotas, uns de grande costado, outros com risco estudado, mas as cambalhotas do governo foram de um patamar alto para a cave. O primeiro-ministro não foi homem de Estado, porque antes de arregimentar a promessa devia ter feito contas. Depois ainda veio exagerar porque a UTAO, unidade técnica de apoio orçamental, avaliou em quase metade a verba que o governo publicitou e que tal recuperação iria custar. E a campanha das europeias estava-lhe a correr mal, daí a encenação dramatizada. Assim, tudo pensado, quis mostrar ao povo que só ele sabia defender as finanças. E pouparam-se quinhentos milhões mas a economia não mexe tanto. Quanto ao acordo ortográfico acerca do qual já esgotei a minha sabedoria, está a ser um fracasso total porque daqui a pouco só Portugal tem o acordo aprovado, tendo em conta os avanços e recuos dos outros países da CPLP. Há propostas para acabar de vez com um acordo que nasceu muito combalido e os danos já são profundos, para a Língua Portuguesa e para todos os seus muitos milhões de falantes. Relativamente ao Brexit, continuam a ser significativas as palavras do comissário Katainen, vice-presidente executivo comunitário, ao dizer “nós sabemos o que o Reino Unido não quer, mas não sabemos o que o Reino Unido quer”, é que ainda não se vê uma janela para o entendimento entre Theresa May e os trabalhistas para aprovarem uma saída acordada. Além do mais, os jornais têm dito que não chegaram a qualquer acordo, mesmo depois de grandes reuniões.

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