1926 O País

Observemos o país convulso, mal saído das eleições. Nova vitória democrática, um novo governo presidido por António Maria da Silva (17/12/192530/5/1926), com as figuras mais moderadas do antigo PRP. Com maioria no parlamento, onde conta com o apoio dos deputados católicos, da Ação Republicana e dos deputados socialistas, mas tendo à perna os restantes, desde os monárquicos, o partido nacionalista e a esquerda democrática. Também por desistência de Teixeira Gomes, em dezembro de 1925, sobe à presidência, por eleição ao segundo escrutínio no Congresso, Bernardino Machado, que cumprirá o seu segundo e último mandato. A situação económica degradara-se, com a diminuição da produção, agravamento dos preços e o recuo dos salários. As classes trabalhadoras, cujas direções sindicais sofreram sérios revezes em 1925, vendo fugir-lhes os sindicalizados, consumiam as suas reivindicações de forma desalentada e sem força para ultrapassar a sobrevivência quotidiana, o aumento do desemprego provocado pela crise industrial e a grande pressão do patronato que, conspirativamente, preparava o seu decisivo assalto ao poder, com os militares que, presos nas tentativas de 1925, tinham sido louvados pelo próprio Tribunal Militar que os julgara, na maioria absolvidos e integrados. Havia um cansaço generalizado no país pela rotineira governação do partido de António Maria da Silva, cujo política conservadora eliminara praticamente os grupos sociais que o defendiam e impediam as tentativas revolucionárias de instalação duma ditadura. Os meses de 1925 arrastaram-se, quer com o escândalo do banco Angola e Metrópole, com a introdução das notas de 500$00 à revelia do estado, encomendadas por Alves dos Reis, que inundaram o país, quer por mais uma tentativa militar radical-outubrista de tomada do poder, em fevereiro, a partir do quartel de Vendas Novas e que se encaminhou para a capital, fixando-se em Almada. Mas a 2 estava derrotada. Em março, discute-se o orçamento, com muita agitação parlamentar, de tal modo que quando se dá a revolução militar do 28 de maio, ainda se não encontrava aprovado.
O Concelho A 2 de janeiro toma posse o Senado da Câmara Municipal, que elege a Comissão Executiva Municipal: a maioria, da lista nacionalista/católica; a minoria, da lista pintista, dissidente do Partido Democrático, que fora derrotado. Tomam posse, pela maioria, Dr. João Martins de Azevedo (Presidente), Luís de Albuquerque (Vice-Pres.), Antunes Barroso (1ª sec.), Padre João Nunes Ferreira vogal). Pela minoria, António Baptista de Oliveira (2º sec.).
1926 O País
Quatro questões vão ocupar a gestão municipal, até final da 1ª República, que O Almonda vai defender nas suas primeiras páginas: A questão do Figo, em que a questão do álcool dele extraído, e que representa uma das maiores riquezas concelhias, se vê prejudicado por medidas governamentais defensoras doutros interes
ses distritais. No parlamento, a defesa concelhia ficou a cargo do agora deputado Dr. Alberto Dinis da Fonseca (Idem, nº 344, 27/2). Mas o Parlamento encaminha-se para outras medidas e a 29/4, é apresentada uma proposta de lei altamente lesiva dos interesses do concelho, o que eleva o executivo camarário a convocar uma reunião
dos interessados, para o dia 10, nos paços do Concelho. (Lº 276, Atas camarárias, 6/5/1925, fls. nº 153 v). A segunda, a defesa da construção da linha do caminho de ferro do Oeste, passando pelo Entroncamento, Torres Novas, Porto de Mós, Batalha) (o Almonda, nº 337, 9/2; nº 351, 17/4; nº 352, 24/4), onde se defende a construção duma linha Tomar-Nazaré, passando por Torres Novas. Ficou o presidente responsável pela sua defesa, mas nas reuniões efetuada em Leiria a 2 de maio, para estudo da via, ficou sempre em minoria, já que as outras câmaras defendiam maioritariamente outro circuito: Tomar. Agroal, Ourém, Leiria. (Idem, nº 354, 8/5). A terceira, a melhoria das estradas concelhias, Alqueidão, Alcorochel, Lamarosa, Ribeira, (A. Cam, cit, 6/5, fls.653) mas. em especial, a do Alqueidão para o Arrife (A. Cam., 17/4, fls. 351), devido à grande afluência, «a maior de sempre», que se esperava para o 13 de maio em Fátima, como prólogo do Congresso Mariano Nacional, em Braga, de 26 a 30 desse mês, com a presença das principais figuras da Igreja católica portuguesa. A estrada do Arrife, devido a esforço da Câmara, estava preparada para uma melhor percurso para os peregrinos (Idem, nº 354, 8/5), bem como, além da linha regular de camionagem dos Claras de Torres Novas para o Entroncamento iniciada em abril (Idem, nº 352, 24/4), se verificar ter sido posto ao serviço duma certa clientela mais abastada, automóveis Ford, um do Sénica, o segundo dos Claras, estando na forja mais dois, um da sociedade Pechincha e Almeida e outro, dos Pataratas (Idem, nº 354, 8/5). A quarta, o alargamento da casa da Câmara, de cuja planta ficou encarregue o arquiteto Henrique de Campos, de Lisboa, que contemplasse novas instalações para a secretaria, finanças, tesouraria da fazenda pública, quartel da guarda republicana, entre outras. (Atas Cam, cit., 8/7, fls. 161).

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