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O desespero da humanidade

Quando o Papa foi a Marrocos, impressionou-me sobremaneira um concerto oferecido pelo Rei de Marrocos em que uma grande orquestra acompanhava um cantor árabe e duas cantoras, uma árabe e outra latina, numa longa oração a Deus.

 Naquelas vozes árabes e latinas eu percebia a tragédia da humanidade que, diante das nossas limitações humanas e das nossas dores se voltava para o Céu num lamento trágico face à impotência humana. Para mim representava o último recurso da humanidade com dois assistentes especiais: o Rei de Marrocos e o Papa. A fisionomia dos dois representava todo o clamor da humanidade diante das limitações e do sofrimento humano.

 Ali não havia muçulmanos, católicos, ortodoxos ou protestantes. Aqueles três cantores eram as figuras trágicas que representavam todos nós. A canção em árabe sublinhava melhor, que as outras as vozes, a impotência humana diante de um mundo onde a própria tragédia da existência reclama Alguém que, se acreditarmos que nos criou, olhe por nós e nos dê a Sua Mão poderosa.

 Diante deste clamor da humanidade, lembrou-me a tragédia da conquista de Constantinopla no século XV. Quando os Turcos Otomanos entravam na cidade, a multidão dos cristãos refugiou-se na catedral de Santa Sofia onde o patriarca de Constantinopla erguia a sua poderosa voz num dos púlpitos, gritando sem cessar: “Meus irmãos, confiai em Cristo porque hoje estareis todos no paraíso”. Irromperam, neste instante os soldados Turcos na Catedral e massacraram todos os cristãos.

 Aqueles três cantores diante do Papa e do rei de Marrocos eram as vozes trágicas que clamavam pelo único Deus em quem acreditam cristãos e muçulmanos.

 Poderia ser doutra maneira? Poderíamos nós cantar “aleluia” em vez de gritarmos a nossa revolta e as nossas dores? Talvez.

 Cada cristão poderá responder no seu coração se a esperança pode tornar menos trágica a nossa existência.

 Ali, naquele concerto, estavam muçulmanos e cristãos não como inimigos mas como filhos do mesmo Deus.

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