1925 – O Final do Ano

A nova direcção de O Almonda, onde pontifica o Dr. Carlos de Azevedo Mendes e como redactor José Rodrigues dos Santos Júnior, vem culminar um longo período jornalístico, onde, na sua rectaguarda, como nos seus editoriais, se distinguia a figura do Dr. Alberto Dinis da Fonseca, que, eleito deputado católico pelo círculo de Tomar, se vê na necessidade de passar, quer o jornal, quer a tipografia, para os responsáveis locais da Acção Católica, os irmãos Augusto e Carlos Mendes. O primeiro número da sua  responsabilidade, após as eleições municipais, traz na primeira página  como entrevistado o  Dr. António Pinto de Magalhães e Almeida, chefe do grupo político, os Pintistas, ligado à Esquerda Democrática, vencedores das minorias, contra o Partido Democrático, presidido pelo major José Moreira. A entrevista, como se verifica em esclarecimento noutro número, não passa duma brincadeira inventada pelo Dr. Alberto.

No mesmo número noticia-se a normal consequência da derrota dos democráticos pelos pintitas.

«Centro Republicano 5 de Outubro

Realizou.se no passado domingo a eleição dos corpos gerentes daquela Associação, para o próximo  ano. Na Assembleia Geral, ficaram os srs. Dr. António Pinto, Presidente, Dr. Augusto Lopes Mendes e Silva, vice-presidente, Júlio Cortês Isaac e Joaquim Pereira Borga, secretários.

Direcçao: Joaquim Alexandre Inácio, Manuel Antunes dos Santos, António Antunes dos Santos, Joaquim Pedrosa Mendes, José Rodrigues Carvalheiro, Francisco Marques Cavaco e José da Silva Patrício, e ainda, no conselho fiscal, os srs. Arnaldo Marques da Paixão, José Manuel Rodrigues e Manuel Jorge.

Os cargos da direcçao serão distribuídos na próxima reunião dos eleitos.

Com agrado geral de todos os sócios deste centro, ingressou para ali, novamente, o grupo musical, da hábil regência de Manuel Antunes dos Santos.

Também foi resolvido na mesma reunião e por unanimidade, que ali se não executassem comícios de carácter partidário, a não ser por um pedido assinado por 25 sócios daquele centro»(O Almonda nº332, 5/12/1925).

Anunciam-se as novas direcções, quer do Clube Torrejano, quer da Juventude católica.

Clube Torrejano – Dr. António Caldeira Canelas, Dr. Augusto de Azevedo Mendes, Mário Ramos de Deus, capitão Joaquim Vieira, Manuel Simões Pinho.

Juventude Católica – Pres- Miguel Lopes de Almeida, V- Pres. Manuel Rodrigues Cardoso, Secret.- Luís Tuna ;Tes.- Francisco Martins: vogais: Alberto Cordoeiro e Fernando Ferreira.(Idem, nº334, 19/12)

Também no Montepio, uma nova direcção, a partir de Outubro de 1925: As. Geral-

Dr. António Pinto, secretários, Manuel Simões Pinho e Gerardo Simões Pires. Direcção: Pres-José Marques Pires; V. Pres Manuel da Silva Freitas; Vogais, Francisco Marques Cavaco, José Pereira Salvador, Domingos Marques. (Santos, Associação de Socorros Mútuo, etc, pg 417.

Uma curiosa notícia sobre casas de espetáculos concelhias é publicada na correspondência do Administrador, em resposta um inquérito da Inspecçao Geral dos Teatros: «Teatro Virgínia de Torres Novas. Data da construção ignora-se. Inauguração em 1862. Comédia, drama, opereta, actividades – cinema.

Lotação – Camarotes -1ª ordem, de lado 10; frente 5; 2ª ordem, 8; frisas 6; fauteilles, 24; cadeiras,158; geral numerada, 47; geral , 10.

Cinema do lugar de Riachos – balcão, 46; cadeiras, 128, geral 101.

Praça de touros provisória, contruída de madeira, camarotes, 10; sombra, 300; sol 700»(Corresp. Cop. Nº1557,pg 494, 11/11/1925).

Algumas notícias de fim de ano jornalístico:

A Escola de Equitação passa a chamar-se Escola de Aplicação de Cavalaria (O Almonda nº332, 5/12)

0 Colégio João de Deus muda a sua residência para os Anjos. (Id, nº333, 12/12).

Em janeiro de 1926, como veremos, inicia a gestão a última câmara eleita republicana.

 

antoniomario45@gamil.com

 

 

 

 

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