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Editorial

Voltamos a um tema que já temos trazido às páginas deste jornal. Por estes dias um relatório da ONU dá-nos conta do papel destruidor do homem, da ameaça que paira sobre a vida na Terra. A destruição provocada pelas alterações climáticas atingiu proporções tão inquietantes que alarmam ambientalistas e cientistas. Segundo o relatório agora divulgado, para além das espécies extintas nos últimos decénios, atualmente há um milhão de espécies em risco de extinção. Está em curso o colapso do sistema ecológico devido à atividade humana que levou a poluição, a destruição de habitats a extremos limites. Há acordos entre países, há inúmeros relatórios, há alertas chamando a atenção para o abismo para onde caminhamos, mas o desleixo humano, a incúria e, sobretudo, os grandes interesses, impedem que se apliquem medidas que respondam eficazmente a este problema global. Mitos se interrogam se não será tarde demais para salvar a vida no planeta Terra. A destruição na terra e no mar acelerou, mas muito pode ser feito para responder a um dos maiores desafios que a humanidade já enfrentou. Se agirmos local e globalmente já, pelo menos é tentar dar uma resposta, nada fazer ou deixar que as coisas continuem na mesma é, certamente, caminhar para o fim. Hoje, a realidade é inquietante. E apesar dos muitos sinais de alerta pouco está a ser feito para mudar a situação. Só uma alteração profunda na vida que levamos, sobretudo no modo como produzimos e como consumimos pode dar-nos um sinal de esperança. Talvez ainda não seja tarde de mais.

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