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Percursos para viver e transmitir a fé pascal

Após o domingo da Ressurreição do Senhor, temos sete semanas para aprofundar e testemunhar este mistério. A Páscoa é o centro e a fonte, é o acontecimento que fundamenta e continuamente vivifica a fé cristã. Acreditar em Jesus é, primeiro que tudo, entender que a sua morte foi uma entrega por nós e que, após a deposição no sepulcro, Ele ressuscitou e se fez encontrar por muitos dos que tinham andado com Ele. Por isso, São Paulo ao referir o que é prioritário no cristianismo (“transmiti–vos antes de mais”, cf 1 Cor 15, 1-5), realça este centro do qual irradiam todas as dimensões da fé. Foi o que ele Paulo recebeu e que quer transmitir fielmente. Para este apóstolo não se trata tanto de uma questão doutrinal. É sobretudo uma pessoa que entrou na sua vida e lhe trouxe uma novidade inaudita. Para o apóstolo das gentes, Cristo é verdadeiramente um amigo com quem vive e para quem vive. Mas Cristo tem uma identidade, uma história e uma proposta de vida concretas. Ao celebrar este ano a Páscoa, despertou-me atenção a pouca ou nenhuma importância que muitos, que se consideram cristãos, dão à celebração deste acontecimento, sobretudo as novas gerações, tanto os pais como os filhos. Páscoa são férias, passeios, encontros e convívios. Não têm tempo ou disposição para participar na celebração litúrgica da Páscoa, nem ao menos na Missa do dia da festa. Nos meios rurais ainda recebem a Visita Pascal. Mas, neste contexto, será mesmo expressão da veneração e reconhecimento pela entrega de Cristo por nós e proclamação da sua ressurreição? Ou apenas um rito exterior sem implicações na vida? Sem a vivência da Páscoa falta o centro que ilumina e a fonte que vivifica a fé. Esta situação pede-nos para rever a pedagogia com que transmitimos a fé às novas gerações. Se não as introduzirmos e acompanharmos na experiência pascal em vão edificamos. Ao meditar, durante estas sete semanas, no processo do desenvolvimento da fé dos primeiros crentes, podemos descobrir algumas pistas para introduzir nesta vivência as novas gerações. A fé e o testemunho na Ressurreição foi crescendo progressivamente nos apóstolos e nas mulheres que os acompanhavam. A início, foi a constatação de que o seu corpo não estava no túmulo. A atenção aos detalhes – a pedra rolada e a ordem que reinava no interior do túmulo- mostrava que não tinha sido roubado. Depois multiplicaram-se os testemunhos dos que tinham encontrado o Senhor vivo. Outra base importante para a convicção segura é a recordação, a uma nova luz, das palavras de Jesus e o entendimento mais profundo da Sagrada Escritura. A culminar este processo, recebem, no Pentecostes, “uma força do alto”, a do Espírito Santo, que lhes infunde nova luz e os ajuda a superar as debilidades da fé. Deste modo, acreditar na ressurreição é fruto de um percurso que leva tempo, precisa de programa e de exercícios espirituais. Não é uma doutrina que se aprende. É um encontro pessoal, apoiado pela família e pela comunidade, que se experimenta e transforma a vida. Por isso, é importante oferecer percursos que levem a viver a Páscoa.

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