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O Passe…

Agora chegou a hora dos preços dos transportes diminuírem, numa tentativa de que passem a ser adoptados pelo comum dos mortais, em detrimento do uso de viaturas próprias. A ideia nada tem de original e é mais uma tentativa de desanuviar o trânsito nas grandes metrópoles com uma maior utilização dos barcos, do metropolitano, dos eléctricos e dos autocarros e diminuindo o tráfego de carros ligeiros.

Este assunto já é estudado há vários anos, mas por isto ou por aquilo nunca se avançou na sua efectivação. Mas agora foi de vez. Os passes da maioria dos transportes de Lisboa, Porto e das suas circulares urbanas passou a ser significativamente mais barato, o que vem beneficiar os gastos mensais de muitas famílias.

Já que a medida se aplaude, o facto da altura em que é tornado público e que entra em vigor se estranha mais. É que temos eleições no muito curto prazo e uma medida destas é apelidada pela oposição, como medida eleitoralista. No entanto, eleitoralista ou não, a poupança para as famílias em termos de transportes é uma medida louvável.

Só restará agora o cumprimento das promessas que acompanham as medidas, isto é, mais e modernos barcos, mais e modernos comboios e metro, melhoria nos eléctricos e nos autocarros, e um ror de promessas que penso eu demorarão muito tempo a chegar, talvez mais que uma legislatura.

Mas existe apenas uma discordância pessoal face a esta situação. Eu bem sei que um contribuinte de Bragança, de Montalegre, de Pinhel, da Chamusca, de Monforte ou de Aljezur, é igual a pagar impostos que qualquer contribuinte de Lisboa, Porto ou Braga, mas só será igual para pagar? Os benefícios destas medidas deviam ser distribuídos por todos os cidadãos deste país de forma exactamente igual, mas a realidade é exactamente o contrário. Eu sei que um voto nas zonas do interior tem o mesmo valor que um voto de um cidadão da capital, mas meus amigos, é no litoral e nas cidades que existem muitos mais votos e é a estes que são dadas as benesses, por serem bastante mais.

Um cidadão e eleitor, numa aldeia no do nosso concelho ou noutro qualquer, não pode tirar um passe na CP, no Metro ou na Carris, nem para a travessia de um rio que nem existe na sua terra. Quer queiramos quer não, está em desigualdade e é discriminado perante os outros que podem usufruir dessas benesses.

Para que não se fale em eleitoralismo, porque não anunciar uma descida dos impostos para os habitantes das zonas rurais, por muito pequena que fosse? Desta forma seria reparada um pouco da desigualdade que agora se criou.

Desta forma sim, os passes sociais e uma ligeira descida dos impostos para os contribuintes e eleitores das zonas rurais e mais afastadas dos centros do poder, seriam uma felicidade e de alguma forma estimularia as pessoas a radicarem-se no interior e a evitar a continuada desertificação.

Como está agora, é muito bom para uns adquirir um passe de ida e volta, seja em que transporte for, porque para os outros, haverá sempre um passe, num qualquer metro do Alqueidão para Assentiz, mas será sempre um passe de ida e vo(l)ta…

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