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Editorial

Então era a Idade Média. O tempo de onde brotou uma cultura nova herdeira do mundo romano. Em silenciosos conventos copiavam-se textos dos Antigos, surgiam as primeiras universidades, germinavam as catedrais.

A Europa constituía-se como entidade própria e nela consolidava-se uma cultura de matriz cristã. Em determinado momento começam a surgir o que se designou por catedrais góticas, lugar de deslumbramento, de beleza e de silêncio, convidando à paz e ao recolhimento. Maravilhosos vitrais, conjugação da sombra e da luz – livro de pedra cujo arco ogival aponta para o alto e nos diz que esta vida terrena ganha o seu pleno sentido quando busca mais além um sentido transcendente.

De entre essas catedrais da Idade Média temos a catedral de Notre-Dame, congregadora secular de toda a França, poesia em pedra para a humanidade. Ali, junto do rio Sena, quantas gerações deslumbrou e comoveu!

Por um tempo, o mundo ficou parado, tomado pelo espanto, não querendo acreditar no que os olhos viam. A catedral de Paris era tomada pelo fogo.

O fogo e água agora amea- çavam destruir o que uma herança de séculos nos legou. Mas o homem que é capaz de tanta destruição e ruína, acorreu aqui, congregou esforços e negou ao fogo um completo triunfo. E quando se fez apelo à generosidade para que fosse possível reparar o que o fogo e a água destruíram, houve uma resposta de todos os cantos do mundo a querer participar na doação para reconstruir a catedral. Sabemos já que é larga a generosidade. Não nos surpreende, porque a essência do homem não é ser destruidor, mas participar no ato construtivo. Assim continuamos a ser construtores de catedrais. Pena é que, a generosidade não se alargue a outros campos da nossa existência concorrendo para minorar a miséria e a pobreza.

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