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Eleições Municipais – 1925

Concluídas as legislativas, com a vitória no círculo, do partido democrático, mas com a eleição, por influência do voto concelhio, do deputado católico Dr. Alberto Dinis da Fonseca, Torres Novas prepara-se para a eleição, em 22 de Novembro, da Câmara Municipal( O Almonda nº.231). Sob a direcção do Dr. Evaristo de Matos Branco, desde 9 de Maio do ano em curso, redactoriado por José Rodrigues dos Santos Júnior, vai seguir uma orientação católica bem definida no cabeçalho: «Por Deus, Pela Pátria, Pela Família , antecedida da frase de Santo Agostinho, Amai os homens , combatei os erros( Idem, nº306,6/6). precursora da nova direcção pós-eleitoral, com sede no Salvador, do Dr. Carlos de Azevedo Mendes, e o mesmo redactor(Idem, nº332,5/12).
Vão aparecer três listas concorrentes ao acto eleitoral, que só nos são reveladas pelo semanário, após o acto, e com o resultado por eleito (idem, nº331, 28/11). No dia anterior às eleições, num acto de clara propaganda eleitoral, apenas coloca na primeira página a lista católico-nacionalista, pela primeira vez concretizada, já que, a nível parlamentar, os deputados católicos apoiam a maioria democrática e criticam as posições do partido nacionalista (Idem, nº 830, 21/11). Para isso contribui a política de bastidores que se fomenta nos salões do Clube Torrejano, com influência do sector monárquico, dos oficiais da escola de Equitação, cujo comando passara para o Coronel Fernando Mousinho de Albuquerque, em 6 de Outubro(Idem, nº324,10/10), que é agraciado com um jantar no dito Clube, que reúne cerva de 40 convivas, seus amigos e admiradores(Idem, nº326, 24710). Ideia de unidade, que se tentara, sem sucesso, há quatro anos, mas, agora , demonstrava que a mistura das duas forças iria ser o garante da política local, não só até à revolução do 28 de Maio, mas a todo o período de ditadura militar que se lhe segue, e do regime de Salazar, que se concretiza a partir de 1930, com a formação da União Nacional, e se alicerça em 1932, com a subida a primeiro-ministro. Daí em diante, a partir da constituição de 1933, institucionaliza-se o Estado Novo, com a eleição da assembleia nacional de 1934, para a qual só poderia concorrer uma única lista.
Regressemos a 1925, quando nos meios militares – e Torres Novas não fugia à regra – se preparava, em conluio com monárquicos, nacionalistas e católicos, o 28 de Maio de 1926.
Realizadas as eleições, O Almonda (idem, nº331, 28/11) apresenta os seguintes resultados das urnas:

Eleições Camarárias – Novembro/1925

Lista Católica Nacionalista Votos Lista dos Dissidentes Votos Lista Democrática Votos
João Martins de Azevedo 1.195 Augusto Lopes M. e Silva 746 Joaquim Augusto F. Dias 459
Luís de Albuquerque 1.168 José António Júnior 674 José Maya dos Santos 473
Antunes Barroso 1.221 José da Silva Beja 683 José de Sousa Moreira 507
Mário Ramos de Deus 1.176 Abílio Pereira Reis 637 Alfredo de Amaral Cortesão 471
Adelino César Gambino 1.166 Joaquim Vieira Borga(sobrinho) 667 José Antunes Grácio 471
João Nunes Ferreira 1.222 António F.Namorado 562 Justino Augusto R. Clara 465
Joaquim Godinho de Matos 1.207 Joaquim Henriques A. Inácio 739 Joaquim Antunes Amora 467
Carlos dos Santos Martins 1.137 António Baptista de Oliveira 762 João Maria da Silva 482
José Mateus Neves da Costa 1.205 António C. P. Carvalho 652 Josué Antunes Barroso 471
Manuel Alves Martins 1.209 Alfredo C. Mourão 670 Manuel Simões Serôdio 446
Joaquim Faria Moita 1.210 Henrique Luciano Pereira 652 Henrique Nunes da Silva 447
– – José F. dos Reis Rosa 608 José de Abreu 51

«Pela votação acima se vê que ficou pertencendo a maioria aos católicos e nacionalistas e as minorias aos dissidentes, que levam à Câmara( 12 elementos) os senhores Augusto Lopes Mendes da Silva, José da Silva Beja, Joaquim Henriques Alexandre Inácio e António Baptista de Oliveira.
Na Junta Geral ficaram igualmente a maioria católica e nacionalista e as minorias aos dissidentes, ficando eleitos o Dr. Carlos Mendes, e José Rodrigues pelas maiorias e o Dr. António Pinto pela minoria»(Idem, nº331,28/11).
O padre José Maya dos Santos, que pertenceu à lista do partido democrático vem, na sua secção Impressões (Idem, nº335,28/11), justificar o aparecimento do seu nome na lista democrática: «Em tempos, o Sr. Major Sousa Moreira, de quem sou amigo pessoal, e a quem devo favores, solicitou o meu nome para uma lista camarária. …Isto não significa a sua adesão ao partido que o propõe. O senhor continua onde tem estado. Era leal o pedido, foi leal a resposta: nesse caso, aceito, disse eu. E aceitei.: 1º,porque a gratidão, sem quebra da minha isenção politica, me aconselhava a aceitar. 2º, porque homem de meia idade, vacinado, proprietário d’uma cabeça que não troca por outra mais bem encaracolada… me julguei no direito de interferir na gerência dos negócios do Municipio da minha terra»
antoniomario45@gmail.com

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