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Trovas e Cantigas

“Passos da noite Ao romper do dia Quantos se ouviram Marchando a par Batem à porta Da hospedaria Se for o vento Manda-o entrar”

Assim começa o tema “O Cavaleiro e o Anjo” com letra e música de José Afonso. Cantor português de música tradicional e de música de intervenção, conhecido por todos pelo diminutivo familiar de Zeca Afonso, apesar de nunca ter utilizado este nome enquanto nome artístico. De seu nome completo, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu a 2 de agosto de 1929 em Aveiro e faleceu a 23 de fevereiro de 1987 em Setúbal. Cantar Zeca Afonso é efetivamente uma sensação de liberdade única. Descobri este prazer verdadeiramente inebriante há relativamente pouco tempo, e permitam-me que me expresse desta maneira, mas é mesmo o que sinto! Nas Cantigas do Zeca, tal como nos fados, as palavras estão carregadas de sentimento. Todas elas têm um peso que se sente e que no meu caso em particular me transporta para um tempo que não vivi. Para um tempo em que nem tudo podia ser pensado, quanto mais dito! Cantado então …
Mas as palavras… As palavras aliadas a uma linha melódica em formato
trovadoresco prestavam-se a ser fiéis depositárias de mensagens ocultas. E que moviam massas e que mudavam mentalidades e abriam assim horizontes. E por mais que leia acerca da Revolução dos Cravos e que beba com sofreguidão tudo o que ouço quando o tema vem à baila… o ter nascido após 1974, faz toda a diferença! Parafraseando Carlos Conde,

“Até chego a ter saudades daquilo que nunca vi”.

E não é, que é mesmo assim!!! Que sensação boa e estranha ao mesmo tempo. Nem queiram saber… e continuo cantando;

“Venho de longe Sem luz nem guia Sou estrangeiro Não sou ninguém Na flor queimada Na cinza fria Nunca se passa Uma noite bem”

Quando o tema acaba dou por mim assim como que em transe. Não conhecia este tema, mas depois de tantos ensaios e em especial agora sinto-me rendida a ele. Tenho o coração e o pensamento toldados de emoção.

Ainda sem chão e mantendo-me sem cor política, reitero que tal só acontece pois TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO É TRISTE (Feliz Dia da Liberdade), TUDO ISTO são COISAS e CENAS & CENAS e COISAS.

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