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Old school

Sempre que chegam estas épocas festivas, vem-me ao peito uma nostalgia imensa. Recordo aromas, sabores, abraços, casas e o som de vozes. Algures, li que uma das coisas mais difíceis de guardar connosco, quando alguém querido parte, é o som da sua voz. Quando li isso, achei estranho. Mas é um facto, e talvez haja uma explicação científica para a prevalência de alguns sentidos em detrimento de outros. Comecei a fazer um esforço maior para recordar tudo aquilo que sou. Para reconstruir todas as memórias, na tentativa de as reviver. Vivemos, hoje, com tanta pressa de viver que poucas são as vezes em que paramos para contemplar o momento em que vivemos. Somos capazes de fotografar impulsivamente todos os momentos de uma viagem ou de um jantar em família… Enquanto o tempo passa e nem aproveitamos ao máximo o que ele nos está a dar.
Viver, afinal, não deveria ser uma arte mais cuidada e aperfeiçoada por cada um de nós? Afinal, como queremos educar o nosso tempo, se somos reféns deles, tantas vezes, gastando energia com o que menos importa? Vamos desligar mais vezes os telemóveis! Vamos deixar as televisões a descansar mais horas! Vamos deixar repousar os computadores! Vamos dar uso à nossa saúde e aproveitar mais e melhor a companhia de quem ainda temos por perto! Vamos comprar menos e voltar aos velhos tempos e velhos hábitos, em que nos contentávamos com uma fatia de pão barrada com tuli qualquer coisa, um sumo natural de laranja e os nossos melhores amigos à nossa espera, no parque, para brincar! Vamos ver mais cinema e “sacar” menos filmes! Vamos viver!

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