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Abril

Celebrámos nesta semana a data do 25 de Abril, acontecimento a merecer celebração para que a memória do que foi se reavive e a dizer a todos como foi “linda a festa”, resgatadora de todo um povo da ditadura para a liberdade. Data a merecer celebração por tudo o que conseguimos de desenvolvimento, conquistas sociais e pelo fim de uma guerra já muito, muito longa. Porém não devemos ficar somente perante um memorial, mas reflectir como ficaram tantas promessas por cumprir, tantos passos dados atrás, tão longe de um desenvolvimento possível.

O poder económico e financeiro sujeitou o poder político. Continuamos com profundas desigualdades, fortunas que aumentam desmesuradamente enquanto não há resposta política para a pobreza e o mundo do trabalho é sempre menos considerado e mais sujeito à perda de direitos.

Quem pode viver dignamente com o salário mínimo e os baixos salários praticados? Quem pode ter uma vida humana equilibrada com tantos abusos no horário de trabalho, tanta precarização no emprego?

Tanto que podia ser feito na educação e na justiça, tanto retrocesso no sistema de saúde, tanta ausência de uma política consistente na defesa do ambiente…

Apesar de ficarmos sempre aquém dos nossos sonhos, com ideais por cumprir, Abril valeu a pena, «o dia inicial inteiro e limpo». Por tudo o que nos trouxe e nos permitiu concretizar. E deve-se dizer aos mais novos o que foi antes e o que veio depois, porque serão eles a realizar, certamente, os sonhos que nós não pudemos ou não nos deixaram realizar. Mas temos já aí o tempo do 1.º de maio. E outra esperança se levanta.

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